Entre os homens com problemas sexuais, 20% se automedicaram

Para urologista, pesquisa em ambulatório do governo estadual revela a falta de atendimento especializado

ANDRÉ CABETTE FÁBIO, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2012 | 02h08

Um em cada 5 pacientes de 20 a 35 anos que apresentam problemas sexuais já se automedicou com algum tipo de estimulante. É o retrato obtido pelo Centro de Referência em Saúde do Homem, da Secretaria de Estado da Saúde, que fez o levantamento com 300 pacientes que procuram o ambulatório na zona sul da capital paulista.

Segundo Joaquim Claro, médico-chefe do serviço de urologia do hospital, a pesquisa mostra a carência, especialmente em relação à população mais pobre, de atendimento especializado. "Em qualquer nível socioeconômico, o homem tenta procurar tratamento, mas deveria haver mais centros de referência preparados para acolher esses pacientes", afirma. O ambulatório foi inaugurado em 2008, dentro de um projeto que planejava criar pelo menos mais quatro centros no Estado, mas isso ainda não ocorreu.

Segundo o médico, o porcentual apontado pelo levantamento pode estar subdimensionado.

Disfunção. Embora a amostra seja demograficamente ampla - o centro atende pacientes de todo o Brasil -, a faixa de renda deles é geralmente baixa. E o preço de medicamentos para disfunção sexual é alto. Para Claro, numa pesquisa que considerasse toda a sociedade, a quantidade de indivíduos que consomem mremédios caros, como Cialis ou Viagra, sem prescrição médica, seria mais próxima da encontrada em países desenvolvidos. Nos Estados Unidos, mais de 50% da população masculina usa estimulantes sexuais indevidamente.

Das substâncias consumidas sem prescrição, a pesquisa apontou que metade é caseira, como Ginkgo biloba e ginseng.

"Os pacientes que se automedicam com Cialis ou Viagra têm um poder aquisitivo maior", afirma Claro. Segundo ele, esse tipo de medicamento pode gerar, como efeitos colaterais, taquicardia, dores de cabeça, visão azulada ou embaçada e dor muscular. Em casos isolados e em associação com outros remédios, os estimulantes podem gerar hipertensão e até mesmo enfarte. Os efeitos colaterais de remédios caseiros são mais difíceis de comprovar. "Esses remédios folclóricos fogem do controle da ciência. Não se sabe se utilizaram uma folha ou dez folhas para o chá", diz Claro.

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