ENTREVISTA-À espera de licença, Verde Potash busca produzir em 2015

Enquanto aguarda uma licença ambiental, a Verde Potash faz planos de iniciar a produção de potássio no Brasil em 2015, com o diferencial de ter uma unidade próxima a regiões que são grandes consumidoras de fertilizantes, disse o presidente da companhia, Cristiano Veloso.

SABRINA LORENZI, Reuters

26 de março de 2013 | 19h30

A empresa listada em Toronto (Canadá) espera receber a licença prévia ambiental de seu projeto em Minas Gerais no segundo trimestre, afirmou o executivo à Reuters.

A companhia visa tirar proveito da grande demanda pela matéria-prima de fertilizante no Brasil, que importa cerca de 90 por cento do insumo que consome.

E investidores estão de olho na situação: desde que a Vale suspendeu um grande projeto de potássio na Argentina, que poderia garantir parte das necessidades do Brasil, as ações da Verde Potash subiram cerca de 20 por cento.

Além do mercado, a companhia diz ter outros estímulos.

"Temos muito incentivo para produzir potássio, tanto de Minas Gerais como do governo federal, porque o país precisa urgentemente de fertilizantes", afirmou Veloso, revelando um acordo com o governo mineiro para isenção total de ICMS na cadeia produtiva do potássio.

O projeto Cerrado Verde, em Minas Gerais, passou por 41 mil metros de sondagem que mediram 2,8 bilhões de toneladas de rocha de um potássio não convencional encontrado na superfície. A cor verde do minério foi determinante para dar nome à empresa.

A empresa ainda tem vantagem logísticas em relação a outros projetos para explorar a matéria-prima no país, como o da Potássio do Brasil, que revelou à Reuters contar com grandes reservas, mas situadas no Amazonas, um Estado que tem produção agrícola pequena em relação a outros.

ETAPA INICIAL

Na primeira fase, a Verde Potash planeja produzir 600 mil toneladas de potássio --volume equivalente ao da produção da Vale, em Sergipe-- com investimentos de 598 milhões de dólares, e a abertura de capital no Brasil é cogitada após o começo de produção.

O projeto completo tem potencial para produzir 3 milhões de toneladas anuais a partir de 2019, com um investimento total de 6 bilhões de dólares.

De posse das licenças necessárias para iniciar o projeto, a Verde Potash deverá dar entrada com pedido de financiamento no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que, segundo o executivo, deve incentivar projetos deste tipo para aliviar a necessidade de importações.

O consumo de fertilizantes no Brasil tem disparado nos últimos anos e deve aumentar ainda mais na esteira do agronegócio. Em 2012, a potência agrícola consumiu 8 milhões de toneladas de potássio, das quais 93 por cento foram importadas.

"O governo brasileiro tem ajudado e está preparando mais medidas para dar aos produtores brasileiros de fertilizantes condições de competir com grandes produtores mundiais, entre canadenses e russos", afirmou.

DESAFIOS

Os 120 mil hectares de área em exploração pela Verde Potash revelam jazidas suficientes para uma produção potencial de 8 milhões de toneladas anuais por 30 anos, segundo o executivo. Mas o projeto não é tão simples quanto outros mais convencionais.

Se por um lado as reservas localizadas na superfície são uma vantagem em relação a depósitos comumente encontrados em grande profundidade, por outro a Verde Potash precisa de tecnologia para explorar os depósitos constituídos de um mineral não convencional.

O executivo disse que a empresa está desenvolvendo tecnologia para explorar as reservas do potássio originado do silicato, uma rocha verde encontrada em abundância na região.

Veloso é um dos acionistas da Verde Potash, com quase 10 por cento do capital da empresa. A maior parte do capital da companhia é de brasileiros, com dois investidores da área agrícola e de fertilizantes. Também é constituída de fundos europeus, norte-americanos e asiáticos, como o Pine Bridge, responsável por uma carteira de mais de 80 bilhões de dólares em investimentos. A empresa desenvolve pesquisas em Minas Gerais desde 2008.

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