ENTREVISTA-Ativos mais caros no Brasil vieram para ficar, diz 3i

Não adianta reclamar: a indústria de private equity terá que se acostumar à realidade de ativos mais caros no Brasil se quiser fazer bons negócios, embora o país possa ser mais atrativo até do que a China, segundo um experiente executivo do setor.

ALÚISIO ALVES E GUILLERMO PARRA-BERNAL, Reuters

16 de julho de 2012 | 19h51

"A mudança no perfil de risco do Brasil justifica ativos mais caros", disse à Reuters nesta segunda-feira o diretor-gerente do grupo britânico 3i no Brasil, Marcelo Di Lorenzo. "A realidade de pagar quatro vezes o Ebitda num negócio acabou."

Segundo ele, esse é o reflexo da gradual estabilização macroeconômica do país, com o juro básico convergindo para padrões internacionais.

Gestores de fundos que compram participações em empresas, que levantaram mais de 6 bilhões de dólares no ano passado para investimentos no Brasil, têm adiado o fechamento de negócios, reclamando de preços elevados provocados pela concorrência com os chamados investidores estratégicos.

A compra e venda de participações em empresas do Brasil movimentou 44,7 bilhões de dólares no primeiro semestre, um aumento de 7,1 por cento ante o mesmo período de 2011, segundo dados da Thomson Reuters.

Para Di Lorenzo, porém, a competição por aqui é menor do que em outros mercados de crescimento, como os de China e Índia, onde a 3i, com um portfólio de 18 bilhões de dólares aplicados em 120 empresas de três continentes, está tirando o pé.

"No mercado chinês, para cada negócio tem em média 4 fundos interessados", disse.

E, embora a economia brasileira esteja num ritmo de expansão bastante inferior --a projeção do mercado para o Produto Interno Bruto (PIB) doméstico deste ano é de menos de 2 por cento de alta, enquanto a China avança num ritmo de 7 a 8 por cento--, o país tem oportunidades em setores em que o capital possa ser triplicado num prazo de cinco anos.

A 3i, que desembarcou no país há pouco mais de um ano, mira as áreas de saúde, serviços corporativos (B2B), consumo e indústria. Seu primeiro negócio foi anunciado em dezembro, com um aporte de 100 milhões de reais por quase metade da provedora de serviços de TV a cabo e banda larga Blue Interactive.

Para Di Lorenzo, egresso do sul-africano Standard Bank, onde chefiou a área de private equity após oito anos fazendo o mesmo no Merrill Lynch, as melhores oportunidades no Brasil para a 3i hoje são a compra de participação --de 30 a 70 por cento, em média-- de empresas avaliadas em até 500 milhões de dólares.

Com frequência, o senão é a informalidade com a qual convive boa parte das empresas de médio porte no Brasil, o que tira muitas delas do cardápio do investidor, que precisa fazer um trabalho minucioso de escolha dos seus alvos.

Segundo o executivo, a 3i recebeu 330 consultas em pouco mais de um ano no país. Dessas, menos de um terço das empresas chegou a ser analisada. Apenas quatro estão sendo alvo de negociação. Pelo menos um negócio pode ser fechado ainda este ano.

"A parte boa é que a sonegação de impostos está caindo, o que força o empresário a ser mais eficiente, e isso é bom para a indústria de private equity", disse Di Lorenzo.

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