ENTREVISTA-BM&FBovespa define modelo de taxa alternativa à Ptax

A BM&FBovespa definiu neste mês o modelo para uma taxa alternativa de referência para o câmbio e pretende implementá-la entre setembro e outubro, oferecendo no futuro uma opção à Ptax, afirmou à Reuters o diretor de renda fixa e câmbio da bolsa, Sérgio Goldenstein.

SILVIO CASCIONE, REUTERS

27 Junho 2011 | 17h01

A oportunidade apareceu com a mudança no cálculo da Ptax tradicional, a ser implementada pelo Banco Central nesta sexta-feira.

"É uma alternativa que a gente está criando, atendendo a uma demanda do mercado", disse Goldenstein em entrevista nesta segunda-feira.

"O grande objetivo, além de ter um fixing de câmbio que seja replicável (pelo mercado), é que com isso a gente acha que pode crescer o volume negociado no mercado eletrônico de câmbio pronto, e isso é importante porque aumenta a transparência e aumenta a profundidade do mercado."

Atualmente, a plataforma eletrônica de dólar à vista da BM&FBovespa perde em volume de negócios para o mercado de balcão.

Nesta segunda-feira, por exemplo, o mercado eletrônico contava com 328 milhões de dólares em operações até as 13h, ante 1,2 bilhão de dólares no mercado de balcão com liquidação na clearing da própria BM&FBovespa.

A bolsa estuda, inclusive, adotar os novos "fixings" por ela elaborados como referência para os contratos derivativos de câmbio, no lugar da Ptax tradicional.

"A gente vai lançar os 'fixings', vai observar ao longo de alguns meses, ver se realmente é eficiente, se há necessidade de aperfeiçoamento de metodologia", disse, pontuando que qualquer mudança só será feita se houver "interesse do mercado."

O Banco Central não se opõe a que a iniciativa privada assuma a tarefa de calcular a taxa de referência para os contratos de câmbio, segundo uma fonte do governo.

METODOLOGIA DA BM&FBOVESPA

O BC, que atualmente faz uma média ponderada por volume de todas as operações para elaborar a Ptax, passará a considerar apenas algumas consultas com os principais bancos do mercado a partir de 1o de julho .

Como essas consultas serão feitas em momentos aleatórios, embora dentro de alguns intervalos predefinidos, a taxa deixa de ser replicável pelo mercado --abrindo espaço para que a bolsa considerasse a criação de uma taxa alternativa.

A iniciativa foi comentada pela BM&FBovespa pela primeira vez em fevereiro, mas o modelo para os novos "fixings" de câmbio foi aprovado no começo de junho.

A bolsa fará seis coletas de taxas no mercado, diferentemente das quatro feitas pelo BC: às 10h, 11h, 12h, 13h, 15h e 16h. As quatro primeiras, que coincidem com as consultas do BC ao mercado, serão consolidadas em uma média semelhante à nova Ptax. No fim do dia, a bolsa publicará outra média, com todas as seis consultas.

As coletas serão feitas em um intervalo de um minuto, diferentemente dos 10 minutos usados pelo Banco Central para a Ptax. Esse é o principal fator que torna o "fixing" da bolsa replicável, disse Goldenstein, porque permite que uma instituição faça uma operação de câmbio a uma taxa praticamente idêntica à coletada pela bolsa para a referência.

O "fixing" será calculado com base na média ponderada por volume de ao menos cinco negócios que ocorram dentro dos intervalos de um minuto definidos pela bolsa. Caso não haja operações suficientes, a bolsa tomará como base a mediana de ao menos 10 "spreads" entre compra e venda disponíveis.

Caso não haja 10 "spreads", a bolsa, então, calculará o "fixing" com base na média dos negócios do intervalo, sem o requisito de ao menos 5 operações. Se nenhuma condição for satisfeita, a bolsa não divulgará a taxa, explicou Goldenstein.

Mais conteúdo sobre:
CAMBIOBMFENTREVISTA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.