ENTREVISTA-Bruno Senna estreia em Mônaco sob sombra de Ayrton

O sobrenome Senna, um dos mais marcantes da Fórmula 1, está de volta ao GP de Mônaco pela primeira vez desde 1993, mas desta vez sem a mínima chance de vitória.

ALAN BALDWIN, REUTERS

14 de maio de 2010 | 17h04

Ayrton Senna é o maior vencedor da história desse circuito de rua -- seis vezes, sendo cinco consecutivas de 1989 a 93. Já seu sobrinho Bruno poderá se dar por feliz se receber a bandeira quadriculada no domingo.

"É difícil", disse o estreante da HRT nesta sexta-feira, um dia depois de ficar mais de 7 segundos atrás do líder Fernando Alonso, da Ferrari, no primeiro treino livre.

"Fiz uma volta melhor no meu carro da GP2 do que com um carro da Fórmula 1", disse o piloto de 26 anos, que venceu no principado pela categoria de acesso.

Não falta apoio popular a Senna, que recebe pedidos de autógrafos aonde vai. O problema tampouco é ausência de capacidade ou autoconfiança. O que lhe falta é um carro capaz de andar perto dos líderes.

"Não tenho nenhuma falsa esperança de vir aqui e fazer um milagre", disse o brasileiro, que terminou apenas duas das cinco provas da temporada. "Nesta pista, você precisa ter confiança pura no seu carro, precisa saber o que o carro vai fazer a cada curva. Temos menos pressão aerodinâmica e menos aderência no momento, porque estamos um pouco limitados e isso está nos causando algumas dificuldades."

Ayrton Senna foi o único brasileiro a vencer o GP de Mônaco da F1. Fora da categoria, só Bruno conseguiu igualar o feito, pela GP2.

Bruno não acha que suas dificuldades diminuam o legado de Ayrton, cuja mística cresceu desde sua trágica morte em 1994 em Ímola. "As pessoas precisam entender que não há milagre que possa ser feito num carro que é inferior", disse ele.

"O piloto fará 0,3 ou 0,4 segundo de diferença, e isso no seu melhor dia, em comparação com o mau dia do outro cara. Você nunca consegue ir alguns segundos além do limite do carro, isso não acontece hoje em dia no automobilismo."

Ele disse que o fim de semana de Mônaco será "o mais difícil" para a sua equipe, mas espera que "cedo ou tarde" o carro melhore.

Seja como for, estar em Mônaco é de certa forma correr em casa para o brasileiro, que tem um apartamento no principado -- algo que, segundo ele, nem sempre é vantajoso.

"Infelizmente, minha casa fica muito movimentada, com a minha mãe, minha irmã, meus amigos e tudo o mais, mas é uma casa, e é ótimo que eu possa ir de bicicleta de manhã."

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