ENTREVISTA-GOL busca corte de custos diante de desaceleração

A companhia aérea Gol está se preparando para uma redução no ritmo de crescimento do setor aéreo brasileiro por conta de crise global de crédito e está colocando sob um mesmo teto a unidade deficitária Varig para padronizar serviços e cortar custos, afirmou o presidente-executivo da companhia. A Gol, que já foi uma das companhias aéreas mais lucrativas da América Latina, tem enfrentado dificuldades depois da compra no ano passado da Varig. Até agora, Gol e Varig operavam como empresas separadas, esperando aprovação regulatória para se fundirem. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) finalmente aprovou a operação no final de setembro, abrindo caminho para que Gol e Varig comecem a operar como uma só companhia em 19 de outubro. "A partir daí devemos extrair os benefícios dessa sinergia, a ver a possibilidade de redução de custo", disse o presidente-executivo da companhia, Constantino de Oliveira Junior, em entrevista no final da quinta-feira. Redução de custo é crucial para a Gol, que sofreu três trimestres consecutivos de prejuízos e viu o preço de sua ação despencar quase 80 por cento este ano, apesar do mercado aéreo brasileiro ter crescido a uma taxa de dois dígitos. Ao realinhar suas operações e reformatar sua malha aérea, a Gol está também se preparando para uma desaceleração do mercado de viagens aéreas por conta da crise de crédito. "Até hoje, nós não temos percebido um desaquecimento na procura de passagens", disse Constantino. "Mas é previsível que haja um impacto negativo, a gente não sabe dimensionar em quanto, mas nós estamos tomando todas as atitudes para melhorar a nossa performance em termos de eficiência, de produtividade, reduzir custo." Diferente de companhias aéreas nos Estados Unidos, a Gol e a maioria das outras empresas aéreas latino-americanas conseguiu amortecer o impacto da disparada dos preços dos combustíveis com uma alta acentuada no tráfego de passageiros, diante de um crescimento econômico robusto do Brasil que vem permitindo que mais pessoas possam voar. Constantino afirmou que o cenário para as viagens aéreas no Brasil deve continuar atraente mesmo se houver uma desaceleração. "O mercado tem um potencial de crescimento enorme", disse ele. "Esse potencial de crescimento pode ser inibido diante dessa crise... Talvez nós vamos reduzir o ritmo de crescimento." O presidente da Gol ressaltou que a empresa, que comanda quase 40 por cento do mercado de aviação do Brasil, está preparada para se adaptar rapidamente no evento de uma desaceleração da economia. "Nos temos flexibilidade operacional de ampliar ou reduzir a nossa capacidade através da devolução de aviões que estão contratadas em regime de leasing operacional", disse o executivo. Buscando se manter fiel a sua origem de baixos custos, a Gol tomou várias medidas este ano em reação à mudança nas condições do mercado. Em julho, a empresa começou a reduzir velocidade dos vôos e a desligar um motor de cada aeronave depois do pouso para reduzir consumo de combustível. Poucas semanas depois, diante da crescente pressão dos combustíveis sobre as finanças da empresa, a Gol reduziu seu plano de frota para os próximos dois anos e eliminou pagamento de dividendos pelo restante de 2008 para liberar recursos para investimentos. "A Gol nunca deixou de ser uma empresa de baixo custo", disse Constantino. "Agora nós estamos unificando a plataforma operacional definitivamente, trazendo a Varig para o conceito de baixo custo."

TODD BENSON, REUTERS

10 de outubro de 2008 | 11h39

Tudo o que sabemos sobre:
AEREASGOLENTREVISTA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.