ENTREVISTA-Governo intervirá no mercado de milho em agosto

O governo federal vai implementar na primeira quinzena de agosto uma série de leilões de compra e venda de milho, para ajudar no abastecimento em regiões deficitárias, amenizando custos aos consumidores, disse nesta quinta-feira o Secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura.

GUSTAVO BONATO, Reuters

26 de julho de 2012 | 16h13

"O problema do milho não é a produção, é a 'espacialidade'. Não tem milho no Rio Grande do Sul, não tem milho em Santa Catarina", afirmou Caio Rocha em entrevista à Reuters, lembrando que outras áreas do país colhem uma safra recorde.

"Vamos adquirir ou subsidiar fretes."

O governo ainda esta avaliando o impacto financeiro da medida. "Eu não sei quantidade, mas adquirir é certo", acrescentou o secretário.

Segundo ele, haverá compras no Paraná para abastecer o Rio Grande do Sul e Santa Catarina; compras em Goiás e Mato Grosso para abastecer regiões de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul; e aquisições na Bahia para atender a demanda no Nordeste brasileiro.

O Mato Grosso colhe neste momento uma segunda safra recorde de milho. No entanto, há regiões, como o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde o plantio no inverno não é possível e onde também houve quebra na colheita do último verão --provocada por uma estiagem prolongada--, com escassez do produto.

A projeção oficial do governo é de colheita no país de quase 70 milhões de toneladas de milho na temporada 2011/12, que está chegando ao seu estágio final.

Rocha projeta consumo interno de 50 milhões de toneladas e exportações de 15 milhões de toneladas, com acréscimo de 5 milhões de toneladas aos estoques do país, que atingiriam 13 milhões de toneladas ao final desta safra.

"Não falta milho", concluiu o secretário, dizendo que o grande problema é custo de transporte de regiões com colheita farta para aquelas onde há carência do produto.

O governo tradicionalmente faz leilões de prêmios de escoamento, conhecidos como PEP, para garantir o abastecimento de regiões não produtoras. Mas neste ano, por conta da quebra de safra de verão, áreas como Rio Grande do Sul, um Estado agrícola, deverão ser beneficiadas.

Isso numa conjuntura em que os preços estão em patamares elevados no mercado interno, após os futuros na bolsa de Chicago (referência internacional) terem atingido um recorde histórico na semana passada, por conta da seca nos Estados Unidos.

"Isso custa um horror para o governo", disse Rocha, referindo-se aos gastos para subvencionar o frete.

Mas ele garantiu, no entanto, que os recursos para a operação estão dentro da programação financeira o ministério, e não atendem simplesmente a uma demanda de produtores de aves e suínos, que recentemente estiveram em Brasília negociando apoio para a cadeia produtiva para minimizar uma alta de custos.

PRÓXIMA SAFRA

Contratos públicos de opção de venda também serão lançados antes do período de plantio da safra de verão para estimular a escolha pelo milho, disse Caio Rocha.

O secretário afirmou estar preocupado com as perspectivas de que a soja avance demais sobre áreas onde foi plantado milho anteriormente, em função dos preços mais vantajosos registrados pela oleaginosa.

Especialistas chegam a projetar recuo de 1 milhão de hectares no espaço a ser destinado ao cereal.

"Nós trabalhamos com medidas para incentivar o plantio de milho", disse o secretário.

Ele disse que o ministério precisa ter responsabilidade com produtores de suínos, aves e bovinos de leite, que dependem do milho como base da ração animal.

Tudo o que sabemos sobre:
COMMODSENTREVISTAMILHO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.