ENTREVISTA-Grupo Maggi avalia aumentar financiamento ao produtor

O Grupo André Maggi, que na safra 2008/09 concedeu financiamentos de cerca de 200 milhões de dólares aos seus fornecedores, afirmou que se for necessário pode elevar os empréstimos aos produtores na próxima temporada (2009/10), cujo plantio da soja começa em meados de setembro.

ROBERTO SAMORA, REUTERS

14 Julho 2009 | 17h58

A empresa ainda realiza o planejamento das negociações para 09/10, e prevê uma manutenção da área plantada com soja em Mato Grosso, onde conta com um plantio próprio (em torno de 139 mil hectares), além do grão originado de terceiros.

"Mesmo com toda a dificuldade que está tendo no mercado, como estamos bem posicionados... decidimos manter os financiamentos. E estamos preparados, se for o caso, para ampliar um pouquinho", declarou o presidente do grupo, Pedro Jacyr Bongiolo, em entrevista à Reuters.

A crise financeira internacional, que deixou o crédito mais escasso e caro, é um desafio para os produtores brasileiros, especialmente os do Centro-Oeste, que plantam em grandes áreas e dependem bastante de financiamentos privados.

A empresa deve fechar 08/09 com originação de cerca de 4 milhões de toneladas de soja, sendo que aproximadamente metade do total é de grãos não-transgênicos.

A produção própria do grupo, nas fazendas mato-grossenses localizadas em Rondonópolis, Itiquira, Sapezal, Campo Novo do Parecis e Querência, foi de 460 mil toneladas em 08/09, um recorde para a empresa. A soja responde pela maior parte dos produtos agrícolas negociados pela Maggi.

Embora o planejamento dos negócios para 09/10 ainda não esteja concluído, disse Bongiolo, o Mato Grosso "não deve ter mudança significativa no plantio".

Isso porque, além das restrições ambientais no Estado, o maior produtor brasileiro de soja, a escassez de crédito ainda afeta o setor como um todo.

"Há restrições ambientais, existe um enquadramento, e a Maggi faz parte de empresas que aderiram à moratória (da soja plantada em áreas desmatadas)."

"E também o mercado, com as dificuldades de linha de crédito, tem dificultado o crescimento... Este ano não deve ter tantas mudanças (em soja), a não ser que o mercado de algodão continue fraco, pode ser que haja uma migração de área do algodão para a soja."

EXPANSÃO NACIONAL

Sem visualizar grandes possibilidades de aumento na safra do Estado governado por Blairo Maggi, um dos proprietários da companhia, o grupo busca se tornar cada vez mais nacional, depois de nesta semana ter anunciado a compra de uma participação majoritária em uma planta de esmagamento na Noruega, com foco no produto não-transgênico.

"Temos planos de crescer na região Sul, no Paraná, onde o grupo começou, estamos voltando às origens. Temos escritórios em Maringá, Cascavel, e estamos olhando mais para o Sul, Santa Catarina, Rio Grande do Sul", afirmou Bongiolo.

Segundo ele, até o próximo ano, a empresa vai procurar estar em todas as áreas produtoras de soja do Brasil. "Onde tiver soja estaremos presentes."

Esse posicionamento pode ajudar a empresa a originar mais soja não-transgênica, um segmento que deve receber impulso com a compra da unidade na Noruega.

"Queremos trabalhar para manter o mercado que a gente tem, porque a questão não é o crescimento lá fora, é a dificuldade de competir internamente com o crescimento da soja transgênica", afirmou, ressaltando que a empresa investe em produção de sementes e em pesquisas, para tornar as variedades convencionais tão competitivas quanto as geneticamente modificadas.

A empresa, além de originar soja não-transgênica para o exterior, ainda processa 600 mil toneladas ao ano do grão não-transgênico em sua unidade em Itacoatiara, no Amazonas, uma das três esmagadoras do grupo.

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