ENTREVISTA-Líder rebelde na Ucrânia diz que avançará sobre cidade portuária

Forças rebeldes pró-Moscou dentro da Ucrânia ganharam força no Mar de Azov nesta quinta-feira e têm como objetivo abrir caminho para a cidade portuária de Mariupol, disse o líder da principal entidade separatista.

ANTON ZVEREV, REUTERS

28 Agosto 2014 | 10h35

Alexander Zakharchenko, o primeiro-ministro da auto-proclamada República Popular de Donetsk, disse à Reuters em uma entrevista que cerca de 3.000 voluntários russos estavam servindo ao lado dos rebeldes.

“Hoje nós alcançamos o Mar de Azov, a costa, e o processo de libertar nossa terra, que está temporariamente ocupada pelas autoridades ucranianas, continuará indo mais longe e adiante", afirmou.

“Tomar Mariupol, a segunda maior cidade na região de Donetsk, nos permitirá expandir nossas unidades em mais cinco ou sete mil”, disse ele, referindo-se à cidade portuária.

Mariupol fica do outro lado do Mar de Azov em frente à Crimeia, região ucraniana anexada ao território russo em março. A cidade tem sido a base de autoridades locais favoráveis a Kiev na região de Donetsk, que foram forçados para fora da capital regional pelos rebeldes.

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, disse na quinta-feira que forças russas haviam invadido a Ucrânia. Mas Zakharchenko disse: “Houve e há voluntários da Rússia”.

“Eles vieram de todos os lados, não apenas da Rússia: temos sérvios lutando, temos franceses lutando, turcos lutando, até mesmo um italiano com permissão ucraniana de residência.”

Ele disse que os russos lutando com os rebeldes vieram de “São Petesburgo, do extremo leste da Rússia, da Sibéria, cossacos da região de Don, de Kuban, da região de Tver”.

Questionado se queria apoio oficial do Estado russo, Zakharchenko afirmou que “por um lado, tornaria as coisas mais simples para nós. A guerra acabaria rapidamente. Mas, de outro, eu entendo perfeitamente que isso não seja uma opção real, que não seja possível”.

“A comunidade internacional simplesmente não permitiria isso... para ser franco, nós somos capazes de resolver os objetivos estratégicos e táticos por conta própria. Nossa ofensiva demonstra isso claramente”, disse ele.

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