ENTREVISTA-Noble aposta em MT com unidades de soja e mais silos

A Noble, trading global de commodities e mais recentemente também produtora de açúcar e etanol no Brasil, mais que dobrará a sua capacidade de armazenagem de soja no país diante da construção da sua primeira unidade brasileira de esmagamento da oleaginosa.

ROBERTO SAMORA, REUTERS

22 Junho 2011 | 17h14

Ao mesmo tempo, a companhia prevê que a produção de soja em Mato Grosso, onde instalará também uma fábrica de biodiesel e os novos silos, crescerá mais de 20 por cento no prazo de quatro anos, disse o gerente regional da Noble no Estado.

"Hoje a capacidade de armazenagem da Noble é de 200 mil toneladas, vai passar para 600 mil... Isso para dar suporte ao abastecimento da nova fábrica", declarou Luiz Sposito à Reuters.

Os investimentos no Estado atingirão 192 milhões de dólares em um prazo de um ano e meio, disse Sposito, que também coordena as obras da esmagadora e da fábrica de biodiesel que começarão a operar no complexo industrial e logístico da ALL, em Rondonópolis (MT), a partir de janeiro de 2013, quando o terminal entrará em operação.

Para ele, a Noble aposta em uma grande melhora na capacidade logística do Estado, o maior produtor de soja do Brasil, o que segundo Sposito também elevará a produção dos atuais 20,4 milhões de toneladas para até 25 milhões de toneladas, em quatro anos.

"O Estado tem possibilidade natural de crescimento na produção de soja, com o terminal vai facilitar", disse, acrescentando que a safra deve aumentar especialmente no leste de Mato Grosso, uma fronteira agrícola menos desenvolvida no Estado.

De acordo com o gerente, além do complexo da ALL, o Estado ganhará outras rotas de escoamento da produção de grãos nos próximos anos. Entre elas, o asfaltamento da rodovia Cuiabá-Santarém (PA), que reduzirá os custos de transporte interno e também o frete marítimo para exportação à Europa e à China, pelo Canal do Panamá.

"O Mato Grosso, de duas vias de escoamento (pelos portos de Paranaguá e Santos), vai passar a ter seis vias (Itacoatiara, Santarém, Itaqui e Vitória", disse ele, referindo-se a obras ferroviárias e rodoviárias para melhorar os acessos aos portos.

A Noble, que conta com silos hoje em três municípios de Mato Grosso e um no Paraná, operando basicamente com a negociação de grãos, já definiu a localização de duas das quatro unidades de armazenagem: Diamantino e Nova Ubiratã. Nos novos silos, o investimento será de 40 milhões de dólares, segundo o gerente.

TERMINAL E COMERCIALIZAÇÃO

A empresa também pretende avançar na comercialização de soja em Mato Grosso para garantir matéria-prima para as seis esmagadoras da companhia na China, disse Sposito.

Já a unidade de esmagamento de soja no Brasil terá capacidade para processar 1,3 milhão de toneladas ao ano, e a fábrica de biodiesel poderá produzir 300 milhões de litros.

No final do ano passado, a empresa, maior comercializadora de commodities da Ásia, comprou duas usinas de cana no Brasil, ingressando nesse mercado.

Segundo Sposito e o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Rondonópolis, Valdemir Castilho, a Noble é a primeira empresa a confirmar a instalação no terminal da ALL.

Há expectativa de que outras esmagadoras, como Bunge e ADM, que já operam em Rondonópolis, também passem a atuar dentro do terminal da ALL, segundo Castilho.

Quando divulgou o projeto, a companhia de logística anunciou que o projeto teria espaço para três esmagadoras no complexo, que conectará por ferrovia uma importante região produtora de soja até o porto de Santos (SP).

A assessoria de imprensa da ALL não tinha imediatamente a confirmação da informação sobre a participação da Noble.

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