ENTREVISTA-Papa não será tolerante com sacerdotes predadores--ex-promotor

O papa Francisco não vai mostrar leniência com sacerdotes pedófilos, porque verdade e justiça são mais importantes do que proteger a igreja, disse o ex-promotor sobre crimes sexuais neste sábado.

Reuters

18 de janeiro de 2014 | 13h24

O monsenhor Charles Scicluna, maior autoridade católica sobre a crise dos abusos da Igreja, também disse à Reuters que o número de clérigos excomungados pelo Vaticano pode ter caído para cerca de 100 em 2013, ante cerca de 125 em 2012.

Scicluna disse que Francisco, a despeito de sua natureza misericordiosa, seria muito duro com clérigos pedófilos, após a crise que o papa chamou de "a vergonha da igreja".

"Eu me encontrei-me com Francisco e ele expressou grande determinação para continuar na linha de seus antecessores", disse Scicluna , que atuou no Vaticano por 17 anos antes de ser nomeado bispo auxiliar em Malta em 2012.

"Seu evangelho da misericórdia é muito importante, mas não é uma misericórdia barata. Tem que respeitar a verdade e as exigências da justiça ", disse Scicluna em entrevista por telefone.

O papa, eleito em março passado, criou uma comissão de especialistas em dezembro para enfrentar o abuso sexual de crianças na Igreja Católica, no primeiro grande passo para enfrentar uma crise que tem assolado a instituição por duas décadas.

O grupo vai estudar formas de melhor vigiar sacerdotes, proteger os menores e as vítimas nas acusações em que o Vaticano não fez o suficiente para proteger os mais vulneráveis ??ou fazer as pazes.

Scicluna confirmou que os registros do Vaticano publicados mostram que em 2011 o número de padres excomungados atingiu um pico recente de cerca de 260. Ele disse que o aumento foi devido a "problemas antigos" e que ele espera que os números se "estabilizem" em cerca de 100 em 2013.

Em 2012, quando ele ainda estava em seu trabalho anterior, no Vaticano, ele criou uma polêmica quando pronunciou a palavra "Omerta" - geralmente usada para descrever o código da máfia siciliana de silêncio - em relação à crise dos abusos sexuais na Igreja.

Ele usou-o novamente neste sábado, em resposta a uma pergunta. "Eu acho que há um sinal claro de que 'omerta' não é a forma como a Igreja deve responder", disse ele.

A igreja teve de pagar centenas de milhões de dólares em indenizações por casos de abuso sexual em todo o mundo, levando à falência uma série de dioceses.

(Reportagem de Philip Pullella)

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