ENTREVISTA-Pesquisa da CPRM pode levar Brasil a explorar oceano

O Brasil poderá requerer no futuro o direito de explorar minerais como manganês, cobre e níquel em áreas que ultrapassam a sua jurisdição marítima, afirmou o novo presidente da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPMR), Manoel Barretto.

DENISE LUNA, REUTERS

30 Junho 2011 | 18h45

Para isso, a CPMR vem pesquisando numa região conhecida como "Área", localizada além dos limites das plataformas continentais jurídicas dos países costeiros. No dia 24 de julho chega ao Rio de Janeiro, após mais de 50 dias de pesquisa, o primeiro navio contratado pela CPRM para obter informações desses locais para futuras solicitações de lavra.

"A qualquer momento uma 'Área' pode ser alvo de pedido de lavra por qualquer país, porque pertence à humanidade", explicou Barretto à Reuters após tomar posse nesta quinta-feira.

"Queremos evitar a vinda de terceiros para essas regiões, por isso estamos estudando e vamos conhecer bem área, que pode ser requerida por nós no futuro", complementou.

O pedido de lavra deve ser feito à Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (Isba), com sede em Kingston, na Jamaica, "O DNPM do mundo", brincou Barretto, referindo-se ao órgão do governo brasileiro que recebe os pedidos para exploração mineral no país.

Depois de requerida a área o Brasil poderá obter até 10 anos para explorar a região.

Segundo Barretto, o Brasil era o único entre os Brics --grupo de países emergentes junto com Rúsiia, Índia e China-- que ainda não havia se inserido na busca de áreas que podem garantir o futuro da exploração mineral no mundo.

"É uma coisa de futuro, não pense que é para agora, mas a mineração vai acabar no continente e teremos que buscar outras áreas, só o Brasil entre os Brics não tinha entrado nessa", informou.

No caso do Brasil, o local escolhido para estudos foi o elevado do Rio Grande, uma formação geológica no sul do país --"uma espécie de montanha", segundo Barretto-- entre o Brasil e a África.

"É uma montanha embaixo d'água cheia de cobalto, carbonato, manganês, níquel, cobre", diz ele.

Sem mandato fixo, Barretto assume o cargo em plena mudança de código da mineração no país e em substituição a Agamenon Dantas, presidente da CPRM por oito anos e meio.

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