ENTREVISTA-Petrobras descarta regular etanol e visa só produção

O papel da Petrobras nos planos do governo para aumentar a produção de etanol no país será apenas de produtora, afirmou à Reuters o presidente da Petrobras Biocombustível, Miguel Rosseto, que pretende crescer no setor prioritariamente em parceria com os atuais sócios, Guarani e Nova Fronteira.

DENISE LUNA, REUTERS

28 Abril 2011 | 19h27

"Nós teremos uma posição relevante dentre os maiores produtores de etanol do Brasil. A agenda de regulação é do governo, não nossa", disse o executivo e ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, que terminou 2010 com uma capacidade instalada de 1 milhão de metros cúbicos, junto com os seus sócios, ou o 3o maior produtor brasileiro.

O braço de biocombustíveis da Petrobras terminou 2010 com 10 usinas, mas em 2011 partirá para novas compras e investimentos na expansão das atuais unidades.

"Estamos discutindo no âmbito do novo plano de negócios (2011-2015) que será divulgado em maio como serão os investimentos em etanol, não temos nada fechado ainda", garantiu Rosseto, que no plano anterior (2010-2014) tinha orçamento de 1,9 bilhão de dólares e meta de ter 5 por cento do mercado de etanol em 2014.

"Estamos estudando como será o nosso posicionamento em um mercado que cresce 10 por cento ao ano... e não é só em carros e motos, a Braskem, por exemplo, usa 400 mil metros cúbicos de etanol por ano na sua operação e vai se expandir, isso provoca impacto no mercado", explicou.

No foco da Petrobras estarão usinas já construídas e prontas para serem ativadas ou as que tenham capacidade ociosa que possam ser ampliadas.

"Nossa prioridade vão ser projetos que tenham 100 por cento de mecanização, qualidade de governança...temos várias conversas que podem responder esse projeto de crescimento", exemplificou o executivo, sem citar nomes de possíveis alvos.

GANHOS EM PRODUTIVIDADE

A busca de um melhor desempenho das lavouras e das usinas também está no centro do planejamento de Rosseto, que prega a verticalização como a melhor maneira de aumentar a produção de etanol no país.

"Um dos desafios é pensar em estratégia de crescimento vertical do setor, temos que trabalhar com escassez de oferta de recursos naturais...temos que produzir mais etanol com menos água e menos disponibilidade de terra", disse Rosseto, prevendo que somente elevados investimentos em tecnologia vão resolver o problema.

"Hoje produzimos 7 ou 8 mil litros por hectare, temos que passar para 11 ou 12 mil litros por hectare", afirmou. "O governo brasileiro tem que ter a ideia do crescimento vertical, investir junto com as empresas privadas para aumentar a produção nas área que já estão plantadas", explicou.

Rosseto disse que na agenda 2011 do setor também estará sem dúvida a discussão de um marco regulatório para o etanol, antes tratado como álcool e ligado à agricultura, e agora alçado ao status de combustível.

"O governo seguramente tomará a iniciativa de formular um novo marco de regulação, tanto para o etanol como para o biodiesel", avaliou, lembrando que no caso do biodiesel, que já está regulado, haveria apenas uma atualização, já que a taxa de mistura de 5 por cento ao diesel para 2013 já foi superada.

"À medida que o etanol hoje é mais de 50 por cento da oferta de combustível, passa a ter uma importância estratégica", ressaltou.

Para ajudar a estabilizar o setor, que vive altos e baixos por seguir o ritmo das safras da cana-de-açúcar, Rosseto defende entre outras coisas a formação de estoques estratégicos pelo governo e a adoção de contratos de longo prazo.

"Hoje o contrato é praticamente spot (à vista) e o melhor instrumento para regulação são contratos de médio e longo prazos. O governo deverá estimular isso de alguma maneira", disse o executivo, citando o contrato da Guarani com a BR Distribuidora, pelo período de quatro anos, como um exemplo que ajuda a tornar o mercado mais previsível.

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