ENTREVISTA-Santos vê Colômbia como player no cenário global

O candidato a presidente da Colômbia Juan Manuel Santos defendeu que seu país se junte a Chile e México em desempenhar um papel mais ativo no cenário internacional, deixando seu violento passado para trás.

PATRICK MARKEY E FRANK JACK DANIEL, REUTERS

01 de junho de 2010 | 11h18

A menor incidência de chacinas, atentados e sequestros, e os avanços na guerra contra o tráfico, obtidos pelo presidente Álvaro Uribe em seus quase oito anos de mandato, atraíram muitos investimentos estrangeiros para a Colômbia.

Santos, ex-ministro e candidato de Uribe, venceu o primeiro turno da eleição presidencial, no domingo, e é franco favorito para o segundo turno, em 20 de junho.

Em entrevista à Reuters, Santos propôs o envolvimento da Colômbia em organismos internacionais como a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Ele defendeu também que a Colômbia deixe de ser um mero receptor de ajuda militar dos EUA --o que tem sido crucial no combate a guerrilhas e traficantes no governo Uribe.

"Queremos nos introduzir mais na Otan e OCDE, como o México e o Chile fizeram, sermos atores mais importantes no cenário global. As circunstâncias estão corretas", disse Santos, que é formado em Harvard e na London School of Economics.

"Vivemos há 40 anos com o estigma de sermos o país mais violento, com mais narcotráfico, sequestros e violações de direitos. Estamos virando essa página", disse ele.

México e Chile já são parte da OCDE, clube de democracias com livre mercado. O grupo está sendo ampliado para incluir também nações emergentes.

O ex-ministro da Defesa disse que, no seu eventual governo, a relação com os EUA irá além de simplesmente "passar o chapéu a cada ano para ver quanto conseguimos".

"Somos um amigo e um parceiro estratégico, podemos ajudar em muitas coisas. Eles já estão pedindo essa ajuda, na América Central, no Caribe e na luta contra o tráfico de drogas", disse ele.

Ainda no mandato de Uribe, em agosto, a Colômbia pretende mandar ao Afeganistão 50 soldados, alguns com treinamento antidrogas e em retirada de minas terrestres, sob comando da Espanha.

Santos venceu o primeiro turno com 47 por cento dos votos, e no dia 20 enfrentará o ex-prefeito de Bogotá Antanas Mockus, que teve 22 por cento.

(Reportagem adicional de Luis Jaime Acosta)

Tudo o que sabemos sobre:
COLOMBIASANTOSENTREVISTA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.