ENTREVISTA-SLC quer captar US$250 mi para comprar até 90 mil ha

A SLC Agrícola planeja vender 49 por cento de participação em sua subsidiária de terras, a LandCo, levantar cerca de 250 milhões de dólares com a operação e garantir recursos para comprar uma área de cerca de 90 mil hectares, possivelmente em novas fronteiras agrícolas, disse o diretor-presidente da companhia nesta terça-feira.

ROBERTO SAMORA, REUTERS

04 de outubro de 2011 | 22h09

A companhia avalia que agora é o momento para vender uma participação na LandCo, uma empresa criada em 2010 cujos planos de alienação de uma participação estiveram congelados por temores relacionados a uma norma brasileira que proíbe que estrangeiros detenham fatia majoritária em empresas de terras.

Mas, de acordo com o diretor-presidente da SLC Agrícola, Arlindo de Azevedo Moura, agora está mais claro que estrangeiros podem deter uma participação minoritária em empresas como a LandCo, assim como há um debate no governo para não impor restrições severas a investidores de fora que aplicam recursos em empresas que produzem alimentos.

"Decidimos levar o projeto em frente e estamos em negociações com alguns fundos. Estamos negociando com meia dúzia, e acredito que possa sair o negócio com dois ou três", declarou Moura, em entrevista à Reuters nesta terça-feira.

Segundo Moura, a negociação com os fundos, os quais ele preferiu não citar, deve ter bom encaminhamento até o final de 2011 e uma conclusão da operação deve sair até o início do ano que vem.

A LandCo, no qual a SLC tem 100 por cento de participação, foi criada a partir da transferência de três fazendas da empresa para a nova companhia. "Então vamos buscar alguém interessado em investir aproximadamente um pouco menos de 250 milhões de dólares para ficar com 49 por cento da companhia", disse o executivo da empresa com sede em Porto Alegre (RS).

"Para 2012, com a captação, o investimento é 100 por cento em terra, se conseguirmos captar os 250 milhões de dólares... se for comprar em novas fronteiras, vai dar pra comprar 80, 90 mil hectares."

Atualmente, a empresa possui propriedades com um tamanho total de 250 mil hectares --divididos em 12 fazendas, incluindo as da LandCo--, dos quais 80 mil hectares são reservas legais e 45 mil hectares são áreas para serem abertas, aguardando licenças ambientais. A empresa ainda planta em uma área arrendada de pouco mais de 60 mil hectares.

As 12 fazendas estão espalhadas pelos Estados de Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Piauí e Bahia.

APOSTA EM ALGODÃO E MILHO EM 11/12

Para a safra de grãos atual (2011/12), cujo plantio está se iniciando, Moura disse que a SLC ampliará fortemente a área de algodão e milho, plantando ao todo (na primeira e segunda safras) 250 mil hectares (alta de 10,6 por cento ante 10/11).

Serão 117 mil hectares de soja, contra 120 mil em 10/11, 96 mil de algodão (versus 83 mil 10/11) e 32,5 mil hectares de milho (ante 20,3 em 10/11), além de pequenas áreas de trigo e café.

"Vamos crescer 10 mil hectares em algodão e vamos crescer em milho também. O milho tem um processo de rotação de cultura, e como é um ano bom de preço, vamos aumentar essa rotação. E no caso do algodão conseguimos boas vendas a preços satisfatórios", disse Moura, acrescentando que a companhia já vendeu antecipadamente quase 60 por cento da produção de algodão esperada.

Para a temporada seguinte (2012/13), a companhia tem planos de manter o crescimento anual de 10 por cento na área plantada. "Vamos crescer entre 25 e 30 mil hectares", disse Moura, acrescentando que parte desse crescimento seria realizado em áreas da companhia que aguardam licença ambiental no Piauí.

A meta de área agrícola para 2015/16, entretanto, foi reduzida em revisão do plano estratégico da companhia feita na semana passada, para 400 mil hectares, ante 450 mil hectares anteriormente, pelo atraso no projeto de alienação de parte da LandCo. "Como a opção é para comprar terras de pastagem, que precisa de correções, talvez não dê tempo de até 2015 alcançar os 450, mas com certeza passaremos de 400."

PREÇOS E SAFRA NACIONAL

O executivo afirmou acreditar que os preços das commodities agrícolas têm fundamento para retomar um movimento de alta, após queda acentuada recente. A soja, que hoje está em torno de 11,53 dólares por bushel na bolsa de Chicago, poderia voltar a 14 dólares em seis meses, começando a se recuperar em outubro.

"Imagino que ainda em outubro possa ter uma pequena reversão, os números divulgados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) estão muito otimistas, eu estive lá duas vezes... e a gente não encontra soja para dar a produtividade que o USDA tem manifestado..."

Custos atuais 30 por cento maiores com fertilizantes ante a safra passada, num momento de queda nos preços, não assustam o diretor da SLC, pois segundo ele a empresa já comprou o produto que usará na safra 11/12.

Com um clima normal no Brasil, a SLC estima produção nacional de soja de até 75 milhões de toneladas, praticamente estável ante a anterior, mas a produção de milho cresceria para um recorde de até 60 milhões de toneladas, alta de mais de 10 por cento com um crescimento de área e produtividade, enquanto a produção de algodão também ficaria praticamente estável, somando cerca de 2 milhões de toneladas da pluma, disse Moura.

(Com reportagem adicional de Peter Murphy)

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