ENTREVISTA-Triunfo Participações mira inspeção veicular

A Triunfo Participações e Investimentos, empresa com forte atuação em infraestrutura, tem interesse no segmento de inspeção veicular caso a exigência chegue a outros locais além da cidade de São Paulo.

CAROLINA MARCONDES, REUTERS

13 de outubro de 2011 | 17h44

Mesmo com a desaceleração da economia, a companhia tem boas perspectivas para o tráfego nas três rodovias sob concessão e vê o setor portuário com as maiores chances de crescimento, segundo o presidente da Triunfo, Carlo Botarelli.

"Olhamos tudo o que for referente a infraestrutura", afirmou o executivo à Reuters nesta quinta-feira.

Sobre o segmento de inspeção veicular, Botarelli disse que "estamos vendo alguma coisa na área ambiental... tem uma regulamentação federal do Conama que fala em inspeção veicular e essa é uma área que a gente tem interesse".

De acordo com uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) de dezembro de 2010, os Estados que possuem Planos de Controle de Poluição Veicular (PCPV) devem realizar a implantação da fiscalização até 25 de abril de 2012.

Além disso, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) quer que todos os veículos motorizados da Grande São Paulo e regiões de Campinas, Piracicaba, Baixada Santista, Sorocaba e São José dos Campos também realizem a inspeção.

Caso a Triunfo entre no segmento, ela seguirá os passos da CCR, empresa que possui 45 por cento da Controlar, responsável pelas inspeções veiculares na capital paulista.

RODOVIAS

De acordo com Botarelli, as rodovias sob concessão da empresa --Concer (RJ e MG), Concepa (RS) e Econorte (PR)-- estão cumprindo a meta de crescimento de cerca de 1,5 vez o PIB no ano até setembro. "Em rodovias a gente imagina continuar crescendo 1,5 vez o PIB em 2012."

Na Concer, rodovia com os maiores crescimentos de tráfego, o executivo disse que pode ser investido até 700 milhões de reais na construção de um túnel na região de Petrópolis (RJ), "o mais longo túnel rodoviário do País", com 5,6 quilômetros, e na duplicação do trecho de descida da Serra. A confirmação do investimento deve ocorrer ainda este ano.

Para a duplicação da Serra, a Triunfo está discutindo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) um aditamento do contrato de concessão. "Se não duplicarmos, se não conseguirmos a equação com a agência, pelo menos o túnel será feito."

Além disso, Botarelli confirmou o interesse da Triunfo na concessão do trecho capixaba da BR-101, cujo leilão está previsto para 17 de novembro, além da BR-040, em Minas Gerais, com certame esperado para os primeiros meses de 2012.

"Na BR-101 dá pra entrar sozinha", disse, quando questionado se seria necessário formar um consórcio para a disputa.

Botarelli destacou ainda que a Triunfo tem interesse na leilão de concessão dos aeroportos de Cumbica, Viracopos (SP) e Brasília, e que inclusive está participando da audiência pública sobre o tema.

CRESCIMENTO PORTUÁRIO

Mesmo com o otimismo em relação às rodovias, o presidente da Triunfo acredita que o setor portuário deve mostrar o maior crescimento entre as atividades da empresa.

"Mesmo tendo algum tipo de desaceleração da economia mundial, o fluxo é muito balanceado entre importação e exportação", disse Botarelli.

A Triunfo detém 50 por cento da Portonave, que administra o Porto de Navegantes (SC), o primeiro porto privado do Brasil.

A Triunfo também controla a Maestra Logística, do segmento de cabotagem --transporte de cargas entre dois portos.

"Estaremos em 2012 completamente operacionais. Nesse período a gente operou precariamente porque tínhamos dois navios. Vamos operar no último trimestre com três e o quarto pode entrar em dezembro", explicou.

Além disso, a Triunfo terá um terminal de cargas no Porto de Santos (SP), que deve atender a cargas gerais. "Possivelmente a gente deve operar contêiner de cabotagem", disse Botarelli, que prevê que esse terminal comece a funcionar em 2014.

"Também estamos olhando líquidos, grãos e outras matérias-primas... Tem uma conversa andando sobre celulose, tem uma conversa de minérios", disse, sem dar mais detalhes.

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