ENTREVISTA-Usina Batatais antecipa moagem para diluir custos da safra

A Usina Batatais, associada da maior exportadora de açúcar e etanol do Brasil, a Copersucar, retomou a estratégia de iniciar a moagem mais cedo nesta temporada em busca da diluição dos custos fixos e de ganhos com a escala na produção.

FABÍOLA GOMES, Reuters

22 de março de 2013 | 17h18

No ano passado, a moagem começou mais tarde por efeito do clima adverso, que afetou o desenvolvimento da cana e início da colheita.

"É uma característica das usinas com que a gente trabalha, de começar mais cedo para ter ganho em escala e diluir os custos fixos", disse à Reuters o presidente da Usina Batatais, Bernardo Biagi.

O grupo, com uma unidade em Batatais e outra em Lins, ambas no interior paulista, prevê moer 6,1 milhão de toneladas em 2013/14, volume 24 por cento maior do que no ciclo anterior.

As duas unidades iniciaram a moagem da cana na semana passada, mas oficialmente a safra 2013/14 tem início em abril, quando a maior parte das usinas dá início às operações.

Apesar da expectativa generalizada na indústria de uma safra mais "alcooleira", ou seja, de volume maior de cana destinada à produção de etanol, a empresa prevê aumentar a fatia do açúcar no mix de produção.

O grupo inaugurou neste ano uma nova fábrica de açúcar, o que permitirá à companhia elevar a produção da commodity para 398 mil toneladas em 2013/14, contra 275 mil toneladas do ciclo anterior.

Com este crescimento previsto no ciclo, o mix do açúcar --proporção de cana para fabricação de açúcar-- deverá atingir 51 por cento, ante os 44 por cento do ciclo anterior.

Já a produção de etanol do grupo é estimada na temporada em alta de 5 por cento, para 242 milhões de litros.

"Mesmo sendo atípico, porque estamos com a fábrica agora e poderíamos fazer mais açúcar ainda... Mas vamos priorizar um pouco o álcool, porque agora em março e abril, ele está com preço superior ao do açúcar", disse Biagi.

PREÇOS

O presidente da Usina Batatais lembrou que um ano atrás o açúcar negociado na bolsa de Nova York estava perto de 24 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o valor equivalente para o etanol hidratado (usado nos carros flex fuel) estava numa faixa de 17 centavos e o anidro em 20 centavos.

Atualmente, esta relação se inverteu, ainda que a diferença seja pequena, com o preço do açúcar em Nova York em torno de 18 centavos e o equivalente em etanol anidro em 20 centavos.

Como a Usina Batatais está iniciando a moagem e produção do etanol mais cedo que a média das demais usinas, Biagi observou que o grupo conseguirá se beneficiar destes preços mais firmes.

Mas ponderou que este patamar de preços do etanol poderá ser mantido até o início de maio. A partir daí, o movimento tende a perder força, à medida que cresce o número de usinas em operação.

Biagi lembrou que estas usinas no centro-sul acabam optando por vender o etanol para "fazer mais caixa" destinado a cobrir suas despesas operacionais, pressionando as cotações.

ATR COMPROMETIDO

Mas o início precoce da safra tem um agravante para o grupo, que é colher a cana com níveis mais baixos de teor de açúcar recuperável (ATR).

Nesta fase inicial da colheita, o grupo registrou um teor de 118 kg de açúcar por tonelada de cana, acima da estimativa inicial de 114 kg de ATR.

Mas o rendimento é inferior à média de 133 kg de ATR no centro-sul.

"Eu estou começando mais cedo, então tenho este benefício de ter preço melhor, mas com um custo de ter um ATR inferior à média", afirmou Biagi.

O executivo disse que o clima no início deste ano veio na medida ideal para o desenvolvimento das plantas nos canaviais, com condição mesclada de sol e chuva.

A Copersucar conta com 48 usinas acionistas, e a Usina Batatais está entre as fundadoras da companhia, que inicialmente operava como cooperativa, tendo participação de 5,67 por cento.

A Copersucar movimenta anualmente, incluindo produção própria mais o volume comprado de usinas não-associadas, cerca de 8 milhões de açúcar e 4,7 bilhões de litros de etanol.

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