ENTREVISTA-Zamin triplica produção com aquisição de mina da Anglo

A produção de minério de ferro da suíça Zamin Ferrous vai mais que triplicar neste ano, com compra dos ativos da Anglo American no Amapá, estima o fundador da mineradora.

SABRINA LORENZI, Reuters

11 de janeiro de 2013 | 14h13

Com a aquisição na semana passada do quarto empreendimento no Brasil, a mineradora que produz atualmente apenas no país poderá extrair em 2013 de 8 a 9 milhões de toneladas da commodity, disse à Reuters o empresário Pramod Agarwal, em entrevista por e-mail.

"É um pouco cedo para falar sobre valores de produção de 2013, mas de acordo com nossas projeções estamos esperando cerca de 6 milhões de toneladas (da mina comprada da Anglo)", disse o empresário indiano baseado em Londres.

Estimativas preliminares da própria Anglo, segundo a Zamin, mostram que a mina comprada no Amapá produziu 5,5 milhões de toneladas em 2012.

A Anglo vendeu a mina como parte de uma revisão de seu portfólio, visando focar no seu principal ativo mundial de minério de ferro, o projeto Minas-Rio, também comprado da MMX, empresa do conglomerado de Eike Batista.

A Zamin já possui no Amapá a reserva Zamapa, que produziu 1,5 milhão de toneladas em 2012.

A operação no Amapá inclui um porto pelo qual a mineradora exportará minério das duas minas.

Outros dois empreendimentos em outros Estados dependem de portos de terceiros, e a companhia não pretende investir tão cedo em logística no Brasil, segundo o executivo.

A Zamin produziu ainda 1 milhão de toneladas a partir do empreendimento Susa, no Rio Grande do Norte, somando uma produção de 2,5 milhões de toneladas no ano passado.

A empresa suíça possui ainda um significativo depósito de minério de ferro na Bahia, Greystone, que promete minério com elevado teor de ferro.

VENDA E COMPRA

Também na Bahia, a empresa vendeu um grande ativo de minério de ferro para a Eurasian Natural Resources Corporation, por 735 milhões de dólares, há alguns anos. As minas são operadas atualmente pela Bahia Mineração. Na ocasião da venda, a Zamin disse que daria ênfase a um projeto gigante de magnetita no Uruguai.

A compra dos ativos da Anglo marca uma volta ao enfoque no Brasil.

"Os principais projetos da Zamin estão localizados no Brasil e no Uruguai. A mina do Amapá é uma excelente aquisição para a Zamin, uma vez que é uma mina em produção."

Os investimentos da empresa não foram mencionados pelo executivo, e novas aquisições não devem acontecer no curto prazo.

"Estamos muito ocupados com o desenvolvimento de nossas operações já existentes no momento, então não estamos atualmente a estudar a aquisição dos ativos... mas isso pode mudar no futuro", disse ele.

Apesar de não prever compras, a companhia tem uma meta ambiciosa de alcançar produção de 45 milhões de toneladas de minério de ferro em cinco anos, aumentando a extração em suas minas, entre outros planos.

A empresa está otimista com as perspectivas para o mercado de minério de ferro em 2013. Para este ano, Agarwal estima preços entre 130 e 150 dólares por tonelada.

A melhor estimativa do empresário para o preço é próxima ao valor atual na China, que atingiu recentemente o maior nível em 15 meses.

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