Equador e Colômbia disputam apoio em cúpula regional

Equador eVenezuela disputavam apoio entre os líderes latino-americanosdurante cúpula realizada nesta sexta-feira, em que osparticipantes tentavam resolver a crise regional provocada porum ataque colombiano contra guerrilheiros em territórioequatoriano. O presidente do Equador, Rafael Correa, descreveu umcaminho diplomático para diminuir as tensões, exigindo que oGrupo do Rio condene a Colômbia e que o presidente colombiano,Álvaro Uribe, peça desculpas pelo ataque e prometa nãorepeti-lo nunca mais. "Isto é uma emergência, uma emergência que terá as maissérias consequências se não agirmos a tempo", afirmou Correa nasessão de abertura da cúpula, na República Dominicana. O Equador e a Venezuela, países aliados, estacionarammilhares de soldados nas suas fronteiras com a Colômbia e,junto com a Nicarágua, cortaram as relações diplomáticas com ogoverno colombiano, um aliado dos EUA. Uribe, que possui bons índices de popularidade devido àofensiva contra a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias daColômbia (Farc), diz que o Equador e a Venezuela não seesforçam para combater o grupo rebelde. "Eu não o informei da operação (com antecedência) porquenão contávamos com a cooperação do governo do presidente Correana luta contra o terrorismo", afirmou o líder colombianodurante a cúpula. "A Colômbia pode dar mostras de sua disposição paracooperar com todos os que desejam cooperar." Sob pressão de governos da região, entre os quais os pesospesados Brasil e México, Uribe parece estar à procura de umafórmula para satisfazer Correa em meio à crise que, segundo amaior parte dos analistas, não deve se transformar no primeiroconflito armado da América do Sul em mais de uma década. À véspera da cúpula, o presidente da Colômbia teu que suasforças não mais realizarão ataques em território dos paísesvizinhos caso esses impeçam os rebeldes marxistas das Farc deabrigarem-se ali para planejar assassinatos, sequestros eatentados a bomba contra os colombianos. Correa exigiu que os líderes presentes na cúpulacondenassem a Colômbia a fim de garantir que nenhum país ataqueseu vizinho com impunidade na região, onde há várias disputassobre linhas fronteiriças. "Esperamos que essa beligerância seja contida em seu núcleoe que as exigências do Equador sejam atendidas depois de termossofrido uma agressão da Colômbia e uma violação de nossasoberania", afirmou o dirigente equatoriano a repórteres,durante a cúpula. Em um sinal de que o Equador também se mobiliza paraaplacar a indignação da Colômbia, o pequeno país andino, em umaação poucas vezes vista, capturou cinco pessoas em suafronteira acusando-as de serem rebeldes. ESFORÇO DIPLOMÁTICO O presidente venezuelano, Hugo Chávez, que tem liderado umaaliança esquerdista contra Uribe, culpa os EUA pela crise,afirmando que os norte-americanos impuseram à Colômbia suapolítica de atacar militantes independente de onde estejam. Os EUA fornecem aos colombianos bilhões de dólares em ajudamilitar para enfrentar as Farc, apostando nisso para manter osaltos índices de popularidade de Uribe, elogiado por expulsar amais antiga guerrilha da América Latina de grandes áreas dazona rural e por tirá-la das cidades. Apesar do calor das declarações e dos riscos de que ocorraalgum incidente nas fronteiras altamente militarizadas daAmérica do Sul, os investidores estrangeiros prevêem que adisputa perca gás com o avanço dos esforços diplomáticos. A crise aumentou o apoio, dentro de seus países, para ostrês maiores envolvidos -- Chávez, Uribe e Correa -- e isso porcausa da posição dura que adotaram. Mas todos afirmaram que desejam evitar uma guerra e hápouca disposição, entre os moradores desses países, para umconflito. As manifestações de rua que ocorreram neles tenderama pedir pela solução pacífica da crise. "A solução diplomática já está em progresso", afirmou JoséVicente Carrasquero, professor de ciências políticas naUniversidade Central Venezuelana, em Caracas. (Reportagem adicional de Manuel Jimenez e Enrique AndresPretel em Santo Domingo e Brian Ellsworth em Caracas)

PATRICK MARKEY, REUTERS

07 de março de 2008 | 15h46

Tudo o que sabemos sobre:
GRIOCUPULAEQUADOR

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.