Equador pede fim de 'campanha midiática' da Colômbia

Presidente equatoriano disse que é impossível controlar infiltração dos guerrilheiros das Farc no país

Da BBC Brasil, BBC

14 de maio de 2008 | 07h30

O presidente do Equador, Rafael Correa, disse nesta quarta-feira, 14, que "é impossível controlar a infiltração das Farc" no seu território e exigiu que a Colômbia pare com o que chamou de "campanha midiática" contra seu país. Em entrevista ao correspondente da BBC em Paris Gerardo Lissardy, Correa criticou a Colômbia pela conduta do governo após a invasão do território equatoriano, em março. Na ocasião, a Colômbia matou um dos principais líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Raúl Reyes.  O presidente colombiano Álvaro Uribe acusa o Equador de servir como porto seguro para guerrilheiros das Farc. "Vim (para a França) para dizer a verdade e para contestar uma campanha midiática que o governo colombiano iniciou de descrédito do nosso país para justificar o bombardeio", disse Correa. Nas últimas semanas, o governo do presidente Álvaro Uribe divulgou dados que estariam no computador de Reyes e provariam as relações das Farc com os governos de Equador e Venezuela. "Supostamente, por milagre, conseguiram salvar os computadores que nos relacionam com as Farc e agora nós que devemos pedir desculpas praticamente, segundo o governo colombiano", afirmou equatoriano. "Isso é inaceitável. Viemos dizer ao mundo que não temos nada a ver com as Farc. O único contato que tínhamos era humanitário. O problema da América Latina não são os vizinhos da Colômbia. O problema é a Colômbia."    Correa disse que o governo equatoriano não tem relações com as Farc e já desmantelou mais de 100 acampamentos do grupo guerrilheiro nos últimos anos, "47 deles na minha gestão", disse.  Sobre a infiltração de guerrilheiros no território equatoriano, Correa disse que "nem os Estados Unidos podem evitar a imigração, e por isso estão construindo um muro na fronteira com o México". Ele afirmou que é responsabilidade da Colômbia de controlar o fluxo dos integrantes das Farc. Apesar das críticas ao presidente colombiano, o equatoriano defendeu o diálogo entre os dois governos. "(Se eu encontrasse Uribe) o saudaria como representante de um país irmão. Como estadista que sou, e responsável por todo um povo, o povo equatoriano, sei que precisamos conversar com o presidente Uribe o mais rápido possível. Agora a confiança nele jamais será restabelecida." Correa também criticou as Farc e disse que é impossível reconhecer o grupo como força beligerante, já que eles praticam seqüestros de inocentes e atos de terrorismo "que seriam rechaçados até mesmo por Che Guevara". Em Paris, Correa se encontrou com o presidente francês Nicolas Sarkozy para pedir apoio ao plano equatoriano de servir como base para libertação de reféns das Farc.    BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Tudo o que sabemos sobre:
ColômbiaEquadorFarc

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.