Marcio Fernandes/AE - 13/4/2011
Marcio Fernandes/AE - 13/4/2011

Equipamento destrói tumor com ondas

Instituto do Câncer do Estado de São Paulo começa a usar de forma experimental aparelho que elimina miomas e trata metástases ósseas

Mariana Lenharo, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2011 | 00h00

O Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) está usando de forma experimental um novo equipamento capaz de destruir tumores por meio de ondas de ultrassom superpotentes. O High Intense Focus Ultrassound (Hifu) já foi usado com sucesso para eliminar miomas (tipo de tumor benigno) em seis mulheres na instituição no último mês.

O aparelho será usado também como tratamento para metástases ósseas. O câncer de mama, por exemplo, é o tumor em que há o maior risco de metástase óssea. Com a técnica, os pacientes não precisam receber anestesia, ficam livres dos riscos de infecção e recebem alta no mesmo dia do procedimento.

Segundo Marcos Menezes, coordenador do Serviço de Radiologia do Icesp, o instituto é o primeiro órgão público da América do Sul a adquirir o equipamento. A tecnologia, resultado de uma parceria entre a GE Healthcare e a empresa israelense Insightec, combina a ressonância magnética - que localiza com precisão o tumor - e um feixe de ultrassom intenso que consegue queimar as células cancerígenas (mais informações nesta página). 

"Com o Hifu, localizamos o tumor pela resson1ância e direcionamos o feixe de ultrassom apenas no ponto focal onde estão as células cancerígenas. Essa energia é acumulada nesse ponto e eleva a temperatura do tecido em 80ºC", explica Menezes. Assim, o tumor é queimado sem danificar os tecidos adjacentes.

Por enquanto, os pacientes que participarão dos testes estão sendo selecionados pelos próprios médicos dentro do Icesp e do complexo do Hospital das Clínicas (HC).O tratamento também está sendo realizado em caráter experimental nos EUA e em países da Europa. "Queremos estar no mesmo patamar dos grandes centros de pesquisa mundiais para que, quando isso se estabelecer como terapia padrão, possamos estar prontos para aplicar nos pacientes", diz Menezes. No Icesp, o Hifu será testado, a princípio, em miomas e metástases ósseas, mas em outros países a ferramenta está sendo usada para cânceres de mama e próstata e até para eliminar coágulos cerebrais.

Outra linha de pesquisa com o Hifu que deve ser desenvolvida no instituto no curto prazo é sobre a ativação de medicamentos nos exatos locais em que eles precisam atuar.

Funciona assim: uma nanopartícula da droga - que seria muito tóxica para ser aplicada diretamente - é encapsulada e injetada no paciente. Com a ajuda da imagem de ressonância magnética, o tumor é localizado e aquecido com o feixe de ultrassom. A cápsula, sensível ao calor, libera a droga somente na região aquecida. "Essa ideia casa com a tendência da personalização do tratamento. Cada vez mais vamos ter um tratamento individualizado - e não um tratamento de massa", diz Menezes.

O anúncio da aquisição do Hifu ocorreu simultaneamente à inauguração do Centro de Investigação Translacional em Oncologia do Icesp, que tem o objetivo de trabalhar com a personalização da medicina.

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