Eram os deuses chocólatras?

Do império asteca até virar chocolate, o xocoatl viajou muito. A mexicana Lourdes Hernández nos leva de volta às origens. Com a fama, o chocolate ganhou grifes - e um mundo de informações que até atordoa os fãs

Lucinéia Nunes,

31 Março 2010 | 17h54

Paladar foi a campo para tentar descobrir porque os deuses astecas gostavam tanto de chocolate. Bem, esta foi a desculpa que encontramos para matar a vontade de provar o chocolate original - ou xocoatl, aquela bebida amarga, quente, e com um toque apimentado, que os espanhóis descreveram, no fim do século 16.   Para nos conduzir nesse encontro com a tradição, recorremos à cozinheira mexicana Lourdes Hernández-Fuentes, que promove almoços e jantares memoráveis na sua Casa dos Cariris, em Pinheiros. Transposta a fachada amarela, entramos num pedacinho do México, com direito a bandeirinhas coloridas no teto e estantes repletas de potes com diferentes tipos de chiles.   Para começar, Lourdes nos serviu outra especialidade mexicana a base de chocolate, o frango com mole, que ela prepara com frango caipira e chile aromático e serve acompanhado de arroz com tomate e feijão preto com coentro.   Terminado o prato (e as dezenas de tortillas quentinhas que iam saindo da panela sem parar e que comíamos com guacamole), Lourdes foi para o fogão. E nós fomos atrás, para aprender. Ela derreteu na água quente a barra de chocolate mexicano amargo, feito de pedacinhos de amêndoa de cacau. Adicionou essência de baunilha (de verdade) e mexeu com o molinillo (veja ao lado) para deixar o chocolate cremoso e aromático. Resultado? Ficou dos deuses, com o perdão do trocadilho.     OUTRAS ERAS Xocoatl A bebida amarga feita com água e a amêndoa de cacau, torrada e triturada, remete à época do Descobrimento da América. O xocoatl que os espanhóis encontraram no México não podia ser saboreado por pessoas comuns, era reservado apenas aos guerreiros e à elite. Com o tempo a bebida foi se popularizando e até hoje o chocolate servido muito quente e, temperado com especiarias é muito consumido no México, "Sempre quente ou frio, nunca morno", ensina Lourdes. Também é misturado a uma massa de milho, o champurrado, prato comum no café da manhã.

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