Escândalo pode ser ainda maior, diz Uefa

Entidade revela nomes de clubes envolvidos e participação de juízes

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

26 de novembro de 2009 | 00h00

A União Europeia de Futebol (Uefa) admitiu que o escândalo de manipulação de resultados de jogos na Europa pode ser bem maior do que se imaginava. A entidade já divulgou os nomes dos primeiros clubes suspeitos de estarem envolvidos no maior escândalo no continente europeu - a revelação foi feita ontem, após reunião em Nyon, Suíça, entre seus dirigentes e outros de federações e ligas nacionais da Áustria, Bélgica, Bósnia, Croácia, Alemanha, Hungria, Eslovênia, Suíça e Turquia. Três árbitros também estariam envolvidos no esquema.

Tirana e Vilaznia (Albânia), Dinaburg (Letônia), Llubljana (Eslovênia) e Honved (Hungria), que disputaram partidas em competições continentais, estão sendo investigados. A Uefa, contudo, admite que outros times são suspeitos de participar do esquema em torneios nacionais. Das cinco equipes, a mais famosa é o Honved. O time de Budapeste, que comemora seu centenário neste ano, foi responsável por revelar o lendário Ferenc Puskas e serviu de base para a seleção húngara vice-campeã do mundo em 1954.

A partida do Honved que teria sido manipulada ocorreu em 29 de julho, pela fase eliminatória da Liga Europa (que substituiu a Copa Uefa). O time húngaro perdeu do Fenerbahçe, da Turquia, por 5 a 1. No total, sete jogos continentais, das fases de classificação da Liga Europa e da Copa dos Campeões, estão sob suspeita. O clube, porém, negou qualquer participação no escândalo.

"Queremos assegurar ao mundo do futebol que o Honved não está envolvido neste caso", divulgou a equipe em seu site. "Em cada time existem jogadores dispostos a trapacear por dinheiro. Se existirem provas contra alguém, o clube e a Federação Húngara vão aplicar punições severas."

O caso de manipulação foi divulgado na semana passada pela polícia da cidade alemã de Bochum. O Ministério Público alemão afirmou que mais de 200 jogos estariam sob suspeita, em escândalo milionário. Grupos criminosos pagaram até 15 mil (R$ 39 mil) para que jogadores favorecessem apostadores.

Gianni Infantino, secretário-geral da Uefa, chamou ontem o caso de "câncer". "Não sabemos se esse é o fim da história. Seguramente, não é", lamentou. Um comunicado geral da entidade informou que a Uefa enfrenta "um caso de crime organizado que excede o poder investigativo de organizações desportivas." O assunto também será debatido em reunião extraordinária convocada pela Fifa, dia 2 de dezembro, na Cidade do Cabo, às vésperas do sorteio dos grupos da Copa de 2010.

ATÉ NA CHINA

O futebol chinês, mesmo sem grande expressão, também sofre com a manipulação de resultados. Ontem, quatro pessoas foram presas por suspeitas de suborno e arranjo de partidas. De acordo com a agência Xinhua, dois diretores do time Shanxi pagaram cerca de US$ 30 mil (R$ 51,6 mil) para acertar o resultado de um jogo da 2ª Divisão em 2007.

COLABOROU SÉRGIO MARTINS

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