Escavação para trilhos encontra covas de vítimas da 'peste negra' em Londres

Arqueólogos anunciaram nesta sexta-feira a descoberta de um cemitério que pode abrigar os restos mortais de cerca de 50.000 pessoas mortas pela "peste negra" em Londres, há mais de 650 anos.

Reuters

15 de março de 2013 | 14h50

Treze esqueletos dispostos em duas fileiras foram descobertos 2,5 metros abaixo da rua na área de Farringdon, no centro de Londres, por pesquisadores que trabalham num projeto de 16 bilhões de libras (24 bilhões de dólares) para expansão da linha ferroviária.

Registros históricos já haviam indicado que a área, descrita como "terra de ninguém", teria abrigado um cemitério estabelecido às pressas para vítimas da peste bubônica, que matou cerca de um terço da população da Inglaterra após o início do surto, em 1348.

"Nesta fase inicial, a profundidade das covas, a cerâmica encontrada junto com os esqueletos e a maneira que os esqueletos foram dispostos, tudo aponta que isso seja parte do território de um cemitério emergencial do século 14", disse o arqueólogo-chefe do projeto, Jay Carver.

Registros limitados sugerem que até 50.000 vítimas foram enterradas em menos de três anos no cemitério Farringdon, enquanto a praga devastava a capital.

Os arqueólogos esperam que os esqueletos, que foram levados para testes científicos, esclareçam informações sobre o DNA da praga e confirmem as datas dos sepultamentos.

A descoberta do cemitério pode ser a segunda descoberta medieval significativa na Inglaterra recentemente, depois de arqueólogos confirmarem no mês passado que tinham descoberto os restos mortais do rei Ricardo 3º, que morreu em combate em 1485, debaixo de um estacionamento na região central do país.

As abras de construção da Crossrail, uma nova ligação ferroviária por baixo do centro de Londres e o maior projeto de infraestrutura da Europa, já descobriram esqueletos de mais de 300 covas em um cemitério perto do local do notório Hospital Bedlam para doentes mentais, no coração da cidade de Londres.

(Reportagem de Michael Holden)

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