Escócia fará votação histórica sobre independência

A Escócia acertou nesta segunda-feira os termos para um referendo histórico sobre a independência, depois de seu líder assinar um acordo com a Grã-Bretanha finalizando os arranjos para a votação, que pode levar ao fim de uma união de três séculos com a Inglaterra.

MARIA GOLOVNINA, Reuters

15 de outubro de 2012 | 12h32

A iniciativa da Escócia por soberania, comandado pelo líder nacionalista Alex Salmond, ecoa movimentos separatistas de outras regiões da Europa, como a Catalunha e Flandres, no momento em que a União Europeia abalada pela crise está passando por mudanças profundas em sua identidade.

Assinado na capital escocesa de Edimburgo, o acordo vai permitir que a Escócia decida em um referendo, em 2014, se deve tornar-se um país independente ou permanecer no Reino Unido.

Nacionalistas estipularam a época do pleito para coincidir com o 700º aniversário da Batalha de Bannockburn, quando forças escocesas lideradas por Robert the Bruce derrotaram invasores ingleses.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, opõe-se à pressão da Escócia, argumentando que a Grã-Bretanha é mais forte unida. Mas o governo britânico concorda que cabe à Escócia decidir seu futuro em uma votação.

"Há muitas coisas que eu quero (o governo) alcançar, mas o que poderia ser mais importante do que salvar o nosso Reino Unido?", afirmou Cameron em um discurso na semana passada. "Vamos assumir: estamos melhor juntos e vamos crescer juntos."

Segundo Salmond, o acordo verá a Escócia dar um passo importante para a independência. "E os meios para criar uma Escócia mais justa e próspera", disse Salmond antes da reunião.

"Estou ansioso para trabalhar positivamente para um voto favorável em 2014."

A Escócia já possui muitas das armadilhas para uma nação tornar-se independente, como a sua própria bandeira, sistema legal, equipes esportivas, bem como uma identidade nacional específica, após séculos de rivalidade com seu vizinho do sul.

O governo britânico defende que uma Escócia independente - lar de cerca de 5 milhões de pessoas- teria dificuldades para lidar com as finanças, uma vez que a maior parte do financiamento atual vem de uma concessão de 30 bilhões de libras (48 bilhões de dólares) do governo do Reino Unido.

Mas uma das questões mais polêmicas em jogo é a propriedade de cerca de 20 bilhões de barris de petróleo recuperável e gás abaixo da parte britânica do mar do Norte.

A Grã-Bretanha também está preocupada com o futuro de sua frota de submarinos nucleares com base na Escócia, à medida que Salmond diz que não haveria lugar para armas nucleares em solo da Escócia após a independência. Mover a frota para outro local seria custoso e demorado.

Muitos escoceses não estão convencidos sobre a independência. Pesquisas de opinião mostram que entre 30 e 40 por cento deles são a favor, uma variação que mudou pouco enquanto as negociações se intensificaram.

Escócia e Inglaterra têm compartilhado um monarca desde 1603 e tem sido governados por um parlamento em Londres desde 1707.

(Reportagem adicional de Isla Binnie, em Londres)

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