Divulgação/Polícia Civil
Divulgação/Polícia Civil

Escola afasta professor preso por filmar alunas

Ivan Secco Falsztyn, que dava aulas no colégio internacional St. Nicholas, foi preso em flagrante suspeito de produzir e armazenar material pornográfico

Renata Cafardo e Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2020 | 15h21

A St. Nicholas School divulgou nota nesta quarta-feira, 19, informando que o professor suspeito de filmar alunas em sala de aula está "definitivamente afastado do quadro docente". Ivan Secco Falsztyn, de 54 anos, foi preso ontem em uma operação de combate a pedofilia e dava aulas no colégio há 20 anos. Ele colocava câmeras em caixas de remédios, com furos, para fazer imagens das meninas que tinham entre 10 e 14 anos. 

A nota da escola diz ainda que "se sente surpreendida pelos acontecimentos uma vez que – assim como as demais – adota procedimentos e práticas criteriosas na contratação dos seus profissionais". Mas que pretende "rever seus processos internos e aferir suas possíveis falhas". A St. Nicholas afirma que vai implantar novos procedimentos de segurança. 

O Estado apurou que a escola está analisando suas câmeras de segurança para tentar identificar algum movimento suspeito do professor. Falsztyn dava aulas de História e Teatro. As câmeras que filmavam as meninas por baixo das saias do uniforme eram colocadas no chão e em carteiras durante as aulas. 

A St. Nicholas mandou nesta quarta-feira também uma carta aos pais, a qual o Estado teve acesso, informando que contratou a psicóloga Fabiana Saffi, chefe do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clinicas, que fará plantões para os pais a partir de hoje. A nota diz que ela estará disponível para dúvidas e preocupações e vai orientar sobre como abordar o assunto com os filhos.

A escola ainda cita novamente que é criteriosa na seleção de seus professores, mas que está vulnerável a pessoas que “por estarem imbuídas por um espírito torpe buscam deliberadamente dissimular a realidade para ocultar para manter velados os atos praticados”.

Nesta terça-feira, pais e mães da escola já começaram a pedir mudanças na segurança. Muitos estão sendo chamados para conversar com os coordenadores. 

Um dia após o episódio as aulas foram normais na St. Nicholas, que é uma escola internacional, usa um currículo conceituado no mundo todo e aceito em universidades fora do Brasil. É uma instituição pequena, que surgiu como uma escola internacional para crianças com menos de 5 anos e foi crescendo. Hoje atende atende da educação infantil ao ensino médio. A escola comemora 40 anos em 2020 e tem entre seus alunos filhos de estrangeiros, empresários e artistas. As mensalidades giram em torno de R$ 7 mil. 

Na operação Luz da Infância, que prendeu o professor, foram apreendidos 187 mil arquivos suspeitos de pornografia infantil nos 12 Estados. Foram presas 43 pessoas. 

Sem se identificar, um pai da escola classificou o caso como uma catástrofe. "Meus filhos não tinham aula com ele, mas está todo mundo preocupado. Todo mundo é vítima. É uma catástrofe." Ele destacou a importância de os fatos serem apurados e disse que este é um momento de dar apoio para a comunidade escolar. "É preciso separar o indivíduo da escola."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.