Escola de SP oferece em site proposta semelhante

No último sábado à tarde, às 16h20, o site da Escola Estadual João Borges, no Tatuapé, zona leste de São Paulo, indicava que oito alunos estavam online. Apesar de tímido, perto do número total de alunos da escola, o número é simbólico em um sábado à tarde de tempo quente.

Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

12 de novembro de 2012 | 02h02

O portal da João Borges foi criado por uma iniciativa da direção da escola. A Secretaria Estadual de Educação não tem nenhuma diretriz nesse sentido. O vice-diretor, Valter Pedro Batista, explica que a escola usou verba que chega à unidade via Associação de Pais e Mestres (APM) para viabilizar o portal. "Quem alimenta é o professor, que também aprende a ser tutor", diz Batista, que é professor de Filosofia. "O objetivo é criar um espaço para que os alunos possam desenvolver conteúdo."

A ideia de desenvolver o portal veio da percepção do comportamento dos jovens. A maioria passa mais tempo na frente do computador, conectado na internet, do que fazendo outras atividades. Era importante, portanto, encontrá-los ali.

Em um curso da Rede São Paulo de Formação Docente, do governo do Estado, Batista apresentou como trabalho de conclusão de curso a implementação da ferramenta. "Precisamos ainda tirar o medo que alguns professores têm da internet."

O site abriga o Espaço Virtual de Aprendizagem, apelidado de EVA, que traz tarefas escolares, cursos livres, uma biblioteca virtual e também o calendário de aulas e avaliações. "É importante que a família possa no mínimo se organizar para quando o aluno precisa faltar", diz Batista.

Os alunos têm aprovado a ferramenta, apesar de exigirem mais. "Tem muitas coisa interessantes, eu sempre acesso. Mas ainda precisa se tornar um site melhor, um ambiente mais legal", diz o aluno Paulo Henrique Bertelli Berger, de 18 anos.

O projeto está sendo melhorado e há planos de aumentar sua abrangência - como tornar o conteúdo acessível por celular. "Os alunos de hoje não largam o celular. Em vez de tirar o telefone do aluno, ele pode fazer as tarefas pelo aparelho", diz a diretora, Claudete de Paula.

A direção sonha ainda em criar um estúdio na escola para gravar as aulas e colocar na internet. "O aluno poder assistir em casa seu próprio professor tem um sentido diferente", diz Batista.

O trabalho da direção da escola não tem passado despercebido. No último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), a João Borges ficou em primeiro lugar na cidade de São Paulo no ciclo 2 do ensino fundamental (de 6º ao 9º ano).

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