Escola do Futuro promove "farra" da Informática em SP

O Computer Jamboree, uma verdadeira "farra" da informática, organizada pela Escola do Futuro da Universidade de São Paulo (USP), termina nesta sexta-feira com o recorde de participação de 77 escolas e 193 projetos apresentados. A feira foi montada no parque do Gugu, no shopping SP Market, e funciona das 9h às 15h, com entrada gratuita.O sucesso do evento em São Paulo já motivou escolas de Minas Gerais a quererem uma parceria com a USP para fazer, no ano que vem, um Jamboree regional, segundo o coordenador científico da Escola do Futuro, Fredric Michael Litto.A Escola do Futuro pesquisa o impacto das novas tecnologias de informação sobre o ensino e aprendizagem, além de promover capacitação de professores e consultoria para escolas que queiram usar métodos de ensino utilizando-se dos recursos da informática. Há cinco anos eles organizam a feira, que começou com 30 escolas.A feira é um espaço interativo, onde os estudantes explicam aos visitantes os projetos e trazem para os estandes equipamentos e material possível de ser manipulado, daí os organizadores chamarem o evento de "farra". O nome Jamboree significa farra dos escoteiros. "Usamos a fórmula da bagunça porque nas escolas é comum o ensino de informática ser muito sério, até chato", disse ele.Um dos destaques fica para a programação no teatro do parque, onde os professores do grupo de física montaram vários trabalhos em três dimensões. Os alunos recebem óculos especiais na entrada para ver as fotos em 3D, inclusive o palco onde tem a apresentação de uma banda de música."Aqui, as crianças podem tirar fotografias digitais que quando forem ver com óculos, terão suas imagens em 3D, farão pinturas", disse Fathia Nordon Gouveia, coordenadora do projeto Jamboree. "Queremos mostrar que física é divertido", apontou Marisa Cavalcanti, pesquisadora da Escola do Futuro e professora da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP)."Nosso objetivo é promover a troca de informações entre as escolas, para que cada uma veja o que a outra está fazendo em informática, mantenha contatos e traga no ano que vem novas idéias", explicou Fathia.Para montar a exposição, a entidade contou com o apoio das secretariais estadual e municipal da Educação, e patrocínio do Parque, do Klickescolas, e da Microsoft, além da Cernet, empresa especializada em networking (mercado de redes). A empresa interligou todos os computadores da feira em rede e também com a Internet usando tecnologia sem fio."A rede sem fio é vantajosa porque quando acaba o evento, não se perde a matéria-prima. Quando se usa cabos, ao final tudo vai para o lixo, é um investimento perdido", disse Marcos Macoto Iwashita, gerente de produto da empresa. Segundo ele, o wireless é a tendência na educação, pois dinamiza as aulas, permitindo até uma melhor mobilidade física dentro da classe, além de ter maior capacidade de transmissão de dados. "Para uma estrutura como essa da feira, em que foram usados 35 computadores com acesso simultâneo, a rede custaria US$ 8 mil", disse.A empresa já trabalha com projetos em outros centros educacionais e de pesquisa, como a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Fundação Cásper Líbero, e fez uma parte da rede da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). Os trabalhos expostos vão desde astronomia até história. O estande da Associação de Deficientes Visuais e Amigos (Adeva) é voltado para a demonstração do software Dosvox, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), voltado para deficientes visuais. "Ele tem um sintetizador de voz que lê o que está na tela, você pode imprimir ou digitar e navegar pela Internet", explicou Fabiano Batista Delino, estudante da Adeva.Outro destaque é o projeto da escola pública Idalina, de São Caetano do Sul, que terá um ranário para pesquisa. Os alunos estudam as rãs e demonstraram na feira os aproveitamentos econômicos na criação do animal, entre eles um óleo feito da gordura da rã para usar na hidratação de cabelo.Um dos estandes mais procurados é o do colégio Renovatus, de Campinas, que desenvolveu projetos de robótica. Uma maquete mostra os dinossauros. A outra mostra a Casa do Futuro, uma pequena casa totalmente automatizada. Ela é ligada a um computador por uma placa e um software que gerencia a ligação de luzes, abertura de portão e porta, o chuveiro e até o microondas.A escola Novo Ateneu Monte Virgem levou uma maquete em isopor de um biodigestor. Além de produzir energia, esse equipamento desenvolvido por professores do colégio fazem um tipo de fertilizante, tudo a partir de restos orgânicos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.