Escolas ampliam vagas de berçário

Entrada em vigor do ensino fundamental de 9 anos tirou alunos da pré-escola e aumentou mercado para bebês

, O Estadao de S.Paulo

31 Dezembro 2009 | 00h00

As escolas de ensino infantil perdem a partir deste ano uma de suas turmas, pois a obrigatoriedade do ensino fundamental de nove anos fará as crianças entrarem mais cedo no 1.º ano. Para evitar uma crise financeira com o fim da classe dos 6 anos, as escolinhas particulares de São Paulo estão investindo na ampliação de vagas de berçário, mercado para o qual não falta demanda.

"A ampliação do berçário vai equilibrar a perda de uma das turmas", afirma Beatriz Miranda Peres, fundadora e sócia da escola Pequeno Reino, que terá dez vagas a mais de berçário em 2010, aproveitando o espaço deixado pelos alunos de 6 anos. "Sempre tivemos lista de espera para o berçário", conta. "Uma vantagem dessa mudança é que, quando entra um bebê, sei que ele vai ficar com a gente mais três, quatro anos."

A partir de hoje, todas as escolas públicas e privadas do País terão de aumentar em 1 ano o ensino fundamental, que até então ia da 1ª à 8ª série. O 1º ano agora atenderá crianças de 6 anos e não mais de 7, como acontecia antes. Os adolescentes continuarão a terminar essa etapa com 14 anos.

O objetivo da lei é incluir as crianças de 6 anos, principalmente as de renda baixa, que estavam fora da escola. Isso porque apenas o ensino fundamental é obrigatório pela Constituição. Com a mudança, tanto pais quanto Estados e municípios poderão ser responsabilizados se não oferecerem vagas ou não matricularem crianças dessa idade na escola.

Em 2009, as pré-escolas particulares do Estado de São Paulo já haviam perdido mais de 11 mil alunos em relação a 2008, uma queda de 4,5%, segundo o Censo Escolar do Ministério da Educação. A análise do próprio ministério aponta que a diminuição foi "resultado do aumento das escolas que aderiram à educação fundamental de nove anos". Em compensação, no mesmo período, o número de crianças de matriculadas em creches privadas cresceu 4,2%.

Como o cuidado de bebês é um serviço especializado e exige grande número de funcionários, as escolinhas costumam oferecer vagas reduzidas. Alguns pais, preocupados com a falta de vagas, fazem reservas ou entram em listas de espera.

Pensando no futuro de suas gêmeas, que devem nascer em abril, a empresária Carolina Labbate Neves resolveu fazer matrícula na escolinha que escolheu (Primetime) já neste mês. "Preferi deixar tudo certo agora, para não ficar preocupada depois. Ainda mais porque, no meu caso, preciso de duas vagas", conta.

Apesar de ter sido acelerada pela implantação do ensino fundamental de nove anos, a concentração de bebês nas escolas de ensino infantil é um fenômeno que já vinha sendo observado por muitos diretores. "As escolinhas de bairro estão cada vez mais focadas nos primeiros anos de vida", diz Miriam Bayeux, diretora da escola Catavento. "Os colégios grandes, que só aceitavam a partir dos 4 anos, começaram a receber também as crianças pequenas. Só mesmo quando os filhos são bebês os pais preferem as escolas pequenas, com as quais têm mais contato."

Nos cinco anos de preparação para a mudança - a lei do ensino fundamental de nove anos foi promulgada em 2005 -, alguns estabelecimentos procuraram outro caminho: o da ampliação para o ensino fundamental. "Independentemente da lei, incluir o ensino fundamental já era intenção da escola", conta Fernanda Cavallieri, coordenadora pedagógica da Algodão Doce Colorido, que abriu o 1º ano do ensino fundamental em 2008.

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