Escolas de SP cancelam formatura do 3º ano

Dois colégios tradicionais da região central de São Paulo, o Rio Branco e o Renascença, cancelaram as cerimônias de colação de grau dos alunos do ensino médio, marcadas para dezembro. A medida veio após ações de estudantes que incomodaram as direções das unidades. Pais reclamam da suspensão das festividades, anunciada nesta semana.

O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 02h03

A formatura do Rio Branco, de Higienópolis, estava prevista para os dias 14 e 15, mas foi cancelada depois que cerca de 40 alunos participaram do "Dia da Tinta" - no qual os jovens do 3.º ano pintam os do 2.º. Segundo uma estudante, que não quis se identificar, desde outubro alguns orientadores tentavam convencer os adolescentes a abandonar o ritual. Para evitar o "Dia da Tinta", a direção organizou um churrasco no último dia 12 e ofereceu latas de spray para que os alunos pintassem muros da escola.

Mas, na manhã de segunda-feira, cerca de 40 estudantes se concentraram na Praça Vilaboim, próxima ao colégio. Os adolescentes, que portavam tinta, foram surpreendidos pela orientadora do Rio Branco, que tentou negociar com o grupo, afirmando que, caso não desistissem da atividade, seriam impedidos de participar da colação. A brincadeira ocorreu sem grandes incidentes. Segundo os alunos, só foram pintados os colegas do 2.º ano que quiseram participar.

Anteontem, os alunos foram informados de que a colação havia sido suspensa. Os pais foram notificados por e-mail. "O 'Dia da Tinta' ocorre há pelo menos cinco anos e nunca uma colação foi suspensa", diz a estudante. "Punir quem participou é até compreensível, já que foram avisados do risco que corriam, mas estender essa punição aos 160 alunos do 3.º ano é injusto.

"No Renascença, colégio judaico de Santa Cecília, a informação de que a festa de formatura do dia 5 seria cancelada chegou na segunda-feira. A decisão veio após problemas com as duas turmas do 3.º ano. Três alunos pegaram as provas de todo o ano em março, sem permissão, e o desempenho deles na escola começou a melhorar notavelmente. A direção descobriu a manobra em agosto e trancou os exames em um armário. Mas as avaliações novamente desapareceram.

O colégio resolveu investigar o caso e pressionou os 53 alunos até que alguém confessasse. Parte dos colegas escreveu carta à direção pedindo desculpas, porque sabia o que estava ocorrendo, mas não queria denunciar os três colegas. Como punição, a formatura foi suspensa. "Os alunos poderão usar a sinagoga, mas coordenadores, diretor, presidente e professores não estarão presentes", diz uma mãe de aluno. "É falta de respeito.

"O Renascença não respondeu às perguntas enviadas pela reportagem. Em nota, o Rio Branco disse que o cancelamento da colação de grau teve propósito "estritamente educativo". Para a psicopedagoga Quézia Bombonatto, a punição é necessária e justa no caso do Renascença. "Deixá-los impunes é passar a mão na cabeça", afirmou. O rigor da medida seria proporcional ao tamanho do erro. "Roubar provas é grave. A lembrança do delito tem de ser para o resto da vida." A única ressalva da especialista é em relação à abrangência do castigo. "Se só alguns erraram, não podem todos pagar." / C.L., C.N. e OCIMARA BALMANT

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