Escolas investem em técnicas de registro

Escolas investem em técnicas de registro

Para ajudar os alunos a reter o conteúdo das aulas, colégios particulares de São Paulo utilizam diferentes estratégias, como a produção de diários

Mariana Mandelli, O Estadao de S.Paulo

05 Abril 2010 | 00h00

Para fazer com que os alunos de classes cada vez mais heterogêneas retenham os diferentes conteúdos ensinados, as escolas particulares de São Paulo estão investindo em diferentes técnicas de aula, ferramentas criativas e métodos de registro. As propostas vão desde ressuscitar os cadernos do estilo diário até contratar especialistas em gestão de sala de aula, mesclando, assim, antigas e novas metodologias na tentativa de fazer com que os estudantes aprendam mais e estudem melhor em casa.

Na Escola Carlitos, na zona oeste de São Paulo, todo o corpo docente - dos professores ao diretor - supervisiona os registros diários dos estudantes, valorizando a sistematização dos cadernos com títulos diferenciados, tabelas, espaçamento e cores, além de reforçar as técnicas de cópia. "Trabalhamos muito a organização dos cadernos porque isso facilita a retomada do assunto na hora de estudar", explica a diretora pedagógica Laura Piteri.

O investimento da escola na área já começa com as crianças da educação infantil, com o chamado Caderno de Vida. Nele, os alunos registram, com ajuda dos pais e professores, suas vivências escolares e familiares com textos e fotos. O caderno pode ser levado para casa nos fins de semana e é lido em classe toda segunda-feira pela manhã. "Esse é como se fosse o primeiro caderno deles, que permite ver como o aluno elabora seu aprendizado e narra fatos", afirma Laura.

Segundo a professora tutora do setor de apoio à aprendizagem da Escola Viva, Adriana Ferreira, incentivar os registros de forma dinâmica faz com que os alunos produzam conhecimento e se tornem autores.

"Em uma leitura em grupo, por exemplo, é importante grifar bem o texto, inserir vocabulários, destacar os conceitos gerais e listar as palavras-chaves", explica Adriana.

A oralidade também é outro aspecto trabalhado pelos colégios para facilitar o entendimento das disciplinas. Na Escola Móbile, na zona sul, os professores são treinados com uma série de técnicas de transmissão oral de acordo com a faixa etária das crianças. "O educador precisa ter a consciência de deixar claro o objetivo da aula na sua estratégia de fala", afirma a diretora pedagógica Cleuza Bourgogne.

Tecnologia. Para auxiliar ainda mais os professores a articular a fala e a escrita, algumas escolas gravam as aulas em vídeo para depois mostrar o desempenho aos educadores. "Filmar e analisar faz com que o profissional reflita sobre sua técnica", explica Silvia Tuono, especialista em gestão de sala de aula. "Ele pode perceber que precisa melhorar impostação e volume da voz, o tanto de tempo que passa falando, por exemplo."

Na Stance Dual, além de serem orientados com práticas de anotação de aula, os alunos usam ferramentas multimídia. "Nas aulas de idioma, filmamos e colocamos legenda para os alunos verem depois", diz a diretora pedagógica da escola, Eliana Rahmilevitz. Algumas aulas são dadas com o suporte de arquivos digitais que depois são disponibilizados para as crianças.

"Mas não é porque se usa tecnologia que ninguém mais escreve", explica Eliana. Segundo ela, nas aulas em que a exposição é feita por meio de computadores, os estudantes recebem o material impresso referente ao assunto, onde fazem anotações que, posteriormente, são corrigidas pelos professores.

ALGUNS MÉTODOS

Cadernos

As escolas apostam na organização dos cadernos para facilitar o estudo em casa. Utilizar cores diferenciadas para cada disciplina e criar tabelas e esquemas para organizar e hierarquizar os conteúdos são métodos valorizados. O uso do diário, para registrar experiências de vida, também é adotado.

Livros

Nos textos, os professores orientam a grifar palavras, listar conceitos e palavras-chaves e destacar vocabulário desconhecido.

Tecnologia

Gravar aulas em vídeo, para que o professor possa vê-las depois, é uma forma de analisar o desempenho dos educadores. Disponibilizar conteúdos digitais e incentivar a relação do aluno com a internet também faz parte das aulas.

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