Escolas privadas estão abaixo da meta

No ensino médio, 15 Estados e o Distrito Federal não alcançaram a nota mínima; no fundamental, a situação é menos preocupante

BRUNO DEIRO, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2012 | 03h03

No ensino médio da rede particular do Brasil, 15 Estados e o Distrito Federal não atingiram a nota mínima esperada pelo governo no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Para piorar, dois terços dos 20 Estados avaliados em 2009 apresentaram queda ou mantiveram a mesma média no levantamento divulgado ontem.

No ensino fundamental, a situação é menos preocupante. No ciclo de 1.ª a 4.ª série, 33% não atingiram a meta e apenas dois Estados tiveram queda de rendimento. Já entre os alunos de 5.ª a 8.ª série, metade das escolas avaliadas melhorou sua média.

Para especialistas, os números do ensino médio são frustrantes pelo fato de não refletir as vantagens que os alunos da rede privada têm em relação aos que estudam em escolas públicas.

"Os alunos de escolas privadas têm muitas facilidades, pois a maioria aprende idiomas fora do colégio, tem aulas particulares e mais acesso a viagens e ao mundo letrado", afirma a professora Silvia Colello, da Faculdade de Educação da USP. "Mesmo assim, a rede particular de ensino ainda está longe da sua meta. Paira a concepção de que a escola pública é ruim e a particular é ótima, mas isso é relativo."

A educadora aponta que a falta de investimentos na atualização dos professores pode ajudar a explicar o mau desempenho. "As escolas particulares estão em um momento difícil, pois têm de assegurar a clientela e garantir a qualidade que demandam os pais. Cobram mensalidades altas, mas funcionam como empresa e não valorizam o professor", afirma Silvia.

Para Neide Noffs, da Faculdade de Educação da PUC-SP, a rede particular também sente os efeitos da mudança no perfil das provas. Ela afirma que o desafio de ensinar os alunos a contextualizar e analisar questões atuais ainda não foi assimilado pela rede de ensino.

"Os instrumentos de avaliação utilizados hoje têm premissas diferentes. As escolas eram voltadas para memorização, e hoje as avaliações exigem dos alunos maior capacidade de compreensão e interpretação de texto", explica Neide. "Várias escolas estão tentando fazer isso, e as particulares são mais ágeis nesse processo, mas leva tempo até conseguirem se adequar."

A professora defende que os projetos de formação continuada dos professores são mais eficientes na rede privada por atenderem às necessidades específicas de cada profissional - no ensino público, esses programas são coordenados pelos governos.

Extremos. A situação mais grave no ensino médio das particulares é de Sergipe, que teve 4,8 e ficou longe da meta de 5,8. Desde a primeira medição, em 2005, o Estado apresenta queda de rendimento e está entre os piores, ao lado do Maranhão (4,8) e Alagoas (4,9). Minas, por outro lado, manteve-se com as melhores médias em todos os níveis - no ensino médio, obteve 6,1 e dividiu o posto com o Paraná.

Nos primeiros anos do ensino fundamental, entre a 1.ª e 4.ª séries, os Estados tiveram bom desempenho e 80% conseguiram melhores índices. Entre a 5.ª e 8.ª séries, os resultados foram menos expressivos: uma das exceções é o Amapá, que saltou de 4,7 em 2005 para 5,6 em 2011, superando em muito a meta de 5,1.

São Paulo é um dos três Estados que ficaram abaixo da meta do governo para escolas privadas nos três níveis avaliados pelo Ideb, ao lado do Distrito Federal e de Pernambuco. Os resultados paulistas do ano passado, no entanto, são menos alarmantes que os da última avaliação, em 2009. O Estado teve melhora significativa entre os alunos de 5.ª à 8.ª série do ensino fundamental e do ensino médio. Nos últimos dois anos, apenas o ciclo da 1.ª à 4.ª série apresentou leve declínio - caiu de 7,2 para 7, próximo à meta de 7,1.

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