Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

Escolas testam formas de usar tablets em sala

Lançamento de novos modelos e preços mais baixos incentivam colégios a desenvolver metodologias e atividades com a ferramenta

Ocimara Balmant, Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2011 | 00h00

Com o lançamento de novos modelos e a queda de preços, os tablets invadiram as escolas. Nos colégios de classe média alta, quase todos os estudantes têm o seu. Mas, passada a curiosidade inicial, o que fazer com ele?

 

Um colégio de São Paulo tentou entender o interesse dos adolescentes e mostrou que, quando o assunto é literatura, o livro de papel vence a concorrência. A pesquisa do colégio Humboldt, realizada em junho com 241 estudantes do ensino médio, mostrou que 84% deles não abrem mão da leitura em livros de papel, mesmo com a chegada dos e-books, que agregam vídeos e áudios.

 

"A sensação de segurar o papel não dá para substituir. Fico animada só de ver a prateleira cheia de livros", diz Julia Gabriel Silva, de 15 anos, que cursa o 1.º ano do ensino médio.

 

Em outros colégios, os coordenadores pedagógicos estão empenhados em desenvolver metodologias e atividades em que o tablet seja usado para estimular os alunos nos conteúdos de disciplinas por vezes bem áridas.

 

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link'Educador não é mais um detentor e sim condutor'

 

Distribuição

 

"Sempre uso nas aulas de física, de biologia e de matemática", diz Bárbara Carli, de 15 anos. Ela é aluna do colégio Dante Alighieri e, por já carregar o objeto na mochila, foi selecionada para fazer parte do projeto-piloto que o colégio executou no primeiro semestre.

 

Ao longo desse período, Bárbara usou o aparelho para resolver exercícios de lançamento horizontal na disciplina de física, trocar elétrons nas reações de química e pesquisar a biografia dos autores do arcadismo.

 

A partir deste mês, todos os estudantes do 1.º ano do ensino médio receberão um tablet. O colégio enxerga o uso do equipamento como uma progressão natural. "Aqui, todos já usam notebook. Na época da gripe suína, por exemplo, ficamos sem aulas presenciais, mas conseguimos validar dez dias porque tínhamos uma plataforma tecnológica de ensino a distância", afirma a coordenadora do departamento de tecnologia educacional, Valdenice de Cerqueira.

 

O objetivo é estender a estratégia para o colégio inteiro em 2012. "Vamos usar esse tempo para garantir que não estamos fazendo mais do mesmo e verificar se o uso acrescentou no aprendizado", completa Valdenice.

 

Interação

 

Qualificar o ganho educacional não é uma tarefa simples e envolve adesão e participação dos professores. De protagonistas na transmissão do conhecimento, eles adquirem, agora, um perfil de condutor do aprendizado.

 

Por isso, em um outro colégio da capital paulista, o Pueri Domus, os professores foram os primeiros a ser treinados. "Num primeiro momento, eles se sentiram incomodados, porque têm muitas certezas consolidadas. Mas, quando percebem o uso, até mesmo com conectividade, descobrem que é uma oferta agradável", afirma Rose Bernardi, diretora do Pueri Domus.

 

Após o treinamento dos professores, chegou a vez de os alunos receberem o tablet. Na semana passada, o colégio distribuiu 170 deles aos alunos do 1.º ano do ensino médio.

 

O objetivo é que os professores usem um roteiro de conteúdos digitais que receberam para explicar a matéria do dia e os alunos façam exercícios para fixar o ponto apresentado.

 

"Na lousa, é o professor que detém a tecnologia. Quando isso chega ao estudante, cria-se uma interação bem além da aula expositiva. Isso não faz com que o menino vire um autodidata. É uma sequência didática intencional", completa Rose.

 

Para os especialistas, o importante é que ambos, docente e aluno, entendam o papel que têm nessa nova configuração. "O professor precisa de propostas que engajem os alunos. E deixar que o estudante produza parte do conteúdo é estimulador", afirma Carlos Seabra, consultor e coordenador de projetos de tecnologia educacional.

 

Aqui, não!

 

No Humboldt, o tablet ainda não é utilizado em sala de aula, mas quase todos os alunos têm um, que usam para lazer. "Tenho em casa, mas gosto de ler e estudar no papel. Como o tablet tem mais funções, pode distrair", diz Thomas Georg Grübber, de 16 anos, aluno do 2.º ano do ensino médio.

 

O colega Caio Vinicius Osoegawa, da mesma idade e série, acredita que o tablet deve ser usado com moderação. "Quando quero ler um Dostoievski, prefiro o papel. Mas quando é um livro que vai demorar para chegar ao Brasil, compro e leio em inglês pelo tablet."

 

Pelo jeito, a mochila, em vez de ser substituída e abdicar dos livros que carregava, ganhou 400 gramas a mais: o tablet.

Rede pública

 

O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou nesta semana que o MEC distribuirá tablets para escolas públicas em 2012. Hadadd não precisou o volume de aparelhos que será adquirido.

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