Escolas tradicionais saem do ranking em razão da baixa adesão

Colégios nos quais mais da metade dos alunos do 3º ano do ensino médio não fizeram o Enem não foram ranqueados

O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h21

Colégios tradicionais de São Paulo que figuravam entre os 50 melhores no ranking do Enem nos dois anos anteriores sumiram da lista de 2011 divulgada ontem. A razão é que, neste ano, o MEC adotou novo critério de classificação, uma espécie de filtro que seleciona somente os colégios que participaram da prova com mais de mais de 50% dos alunos formandos. Pelo menos 12 escolas ficaram de fora.

É o caso, por exemplo, do Colégio Santa Cruz. Na capital paulista, a escola teve a quarta melhor pontuação média, em 2009 (715,17 pontos), e subiu para a terceiro, em 2010 (714,14). No entanto, como menos da metade dos alunos do 3.º ano do ensino médio fizeram o teste, o resultado de 2011 não foi informado pelo MEC.

Em 2009, apenas 36,9% dos formandos fizeram o Enem. Em 2010, a participação foi ligeiramente superior: 44,4%. Ainda não há como saber sobre o desempenho da escola em 2011, porque os dados serão enviados apenas à direção do Santa Cruz.

Ficaram na mesma situação o Colégio Santo Américo, Colégio Visconde de Porto Seguro, Escola Vera Cruz, Escola Nova Lourenço Castanho - Unidade 4, Colégio Humboldt, Colégio Madre Alix, Colégio Equipe, Colégio Dante Alighieri, Colégio Rainha da Paz, Colégio Santo Ivo e Colégio Visconde de Porto Seguro - Unidade 2. Nenhum dos 11 foi ranqueado.

Cartas. Uma das explicações para a baixa participação dos formandos de escolas paulistanas é que o Enem não é o principal processo de seleção das universidades estaduais de São Paulo: USP, Unesp e Unicamp. Nas duas últimas, pode-se apenas compor a nota final. Por isso, alunos preferem se dedicar a outras provas.

O coordenador pedagógico do Colégio Santo Américo, Miguel Arruda, concorda com a tese e decidiu enviar um comunicado aos pais para explicar o porquê de o colégio, depois de ter sido o 17.º colocado em 2010, desta vez nem constar da lista. "Fizemos uma carta aos pais, antes de eles acharem que estávamos mal. Não estamos. Só não conseguimos convencer nossos alunos a fazer a prova."

Por lá, diz Arruda, os estudantes priorizam USP e FGV, que não utilizam o Enem. E, mesmo com os pais "vacinados", a exclusão da lista deve ter consequências. "Quem está escolhendo colégio pode nem considerar o Santo Américo, porque não estamos no ranking." No ano que vem, Arruda pretende fazer uma cruzada na sala dos alunos. Em 2010, 48,3% deles fizeram o exame. "Vou pedir que, por amor ao colégio, eles façam o Enem", diz o coordenador.

A direção do Dante Alighieri vai tomar medidas semelhantes. Segundo a assessoria de imprensa do colégio, o diretor-geral pedagógico, o professor Lauro Spaggiari, já se prepara para enviar hoje um e-mail formal aos pais de alunos. Ele deve explicar que o colégio não aparece porque não atingiu os 50% dos alunos formandos no Enem. / FELIPE FRAZÃO e OCIMARA BALMANT

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