Escolha de palavras atrasa relatório sobre aquecimento global

Cientistas e burocratas estão bem atrasados na tarefa de fechar um relatório internacional para as Nações Unidas sobre o aquecimento global. Mas a culpa não é de divergências dentro da comunidade científica ou da implicância dos políticos, e sim de dificuldades na escolha de palavras e nuances de linguagem, disseram três delegados que participam do esforço. Todos os governos envolvidos, mais de 100, têm de concordar com o texto do resumo de 12 a 15 páginas."Ainda não terminamos 30%, e já gastamos 60% do tempo", disse o representante do Ministério de Meio Ambiente da Holanda, Arthur Petersen. O relatório do Painel Intergovernamental para a Mudança Climática (IPCC), se realmente for lançado na data esperada, 2 de fevereiro, advertirá o mundo de que o aquecimento global chegou e se agrava, e o fará nos termos mais diretos. Este será o quarto relatório do tipo lançado desde 1990. O último havia sido divulgado em 2001.Segundo versões preliminares, o texto dirá que é "muito provável" - o que representa pelo menos 90% de certeza - que a mudança climática seja causada pela queima de combustíveis fósseis, e que produzirá uma sensível elevação de temperatura até o final deste século.Pode haver esforços para mudar a linguagem para "virtualmente certo", o que representa 99% de certeza.E, pela primeira vez, o comitê climático dirá que a maior intensidade de furacões e ciclones tropicais, verificada a partir dos anos 70, são "mais provavelmente ligadas" ao aquecimento global do que não.Representantes de governos não estão obstruindo as questões fundamentais, como ocorreu em 2001, mas o trabalho está avançando devagar mesmo assim, e os negociadores começam a fazer uma contagem regressiva, disse Petersen.Um outro participante, que pediu para não ser identificado, disse que a atitude da delegação americana mudou bastante desde 2001, quando os representantes dos Estados Unidos foram acusados de bloquear as conversações. "Os EUA estão muito mais construtivos".Desta vez, dizem delegados, o bloqueio se deve à busca de precisão na terminologia. Nesta quarta-feira, 31, os negociadores chegam à questão mais polêmica: a elevação do nível dos oceanos. Cientistas tentam dar voz à preocupação de que as versões anteriores do texto não levaram em conta novas evidências que sugerem um aumento maior no nível do mar do que o previsto originalmente, por conta de derretimentos na Antártida e na Groenlândia.

Agencia Estado,

31 de janeiro de 2007 | 17h57

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