Escuta indica que achaques provocaram ataques do PCC

Criminosos teriam ficado revoltados com investida de policiais contra seus familiares

Marcelo Godoy, O Estado de S. Paulo

05 de maio de 2008 | 09h10

A revolta da cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) com os achaques e seqüestros praticados por policiais civis foi uma das causas da onda de atentados de maio de 2006 que paralisaram São Paulo. O esquema que mais enfureceu os bandidos era comandado pelo investigador Augusto Pena, preso na semana passada em uma operação do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaerco). A raiva dos bandidos ficou registrada nas conversas telefônicas que a testemunha Regina Célia Lemes de Carvalho, ex-mulher de Pena, entregou à polícia.Os achaques contra a cúpula do PCC ocorreram entre 2005 e 2006. A transferência da cúpula da facção para a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau foi a gota d?água para que Marco Camacho, o Marcola, ordenasse as três ondas de ataques, nas quais morreram 56 policiais, 119 suspeitos e 10 civis. "Eu estou indignado com esse negócio aí!" , diz Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, terceiro homem na hierarquia da facção, ao saber do esquema montado por policiais da Delegacia de Suzano. Segundo o Gaerco, mediante autorizações judiciais os policiais passaram a grampear telefones de integrantes do PCC e de suas famílias. Mesmo quando não obtinham provas contra os familiares, policiais teriam fraudado áudios para achaques. É o que diz o preso conhecido como Gugu, que estava na mesma cela de Gegê do Mangue. Em conversa com a advogada Maria Odete Haddad, ele diz que "nóis tá sendo vítima e nossa família por parte desses caras". Ele conta que os criminosos não se importariam se fossem atingidos. "Se nóis é o alvo, tá pela ordem", diz. Mas, segundo ele, os policiais grampearam os telefones de parentes para acusá-los de associação para tráfico de drogas. Foi por essa conversa que a advogada Maria Odete foi à Delegacia de Suzano conversar com Pena. Maria Odete foi filmada por Pena confessando que havia obtido com outro policial fitas com conversas grampeadas de parentes de integrantes do PCC. Segundo a advogada, o investigador obrigou-a a telefonar para Gegê do Mangue. Essa conversa e outra de Pena com Gegê foram entregues por Regina Célia ao Gaerco. Segundo ela, Pena achacou, em seguida, R$ 150 mil de seu cliente.

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