Espaço do leitor

Bicho-de-pé gosta de local sombreado Estou enfrentando muitos problemas causados por bicho-de-pé no meu sítio em São Simão (SP) e não sei como resolver. Já joguei cal e produtos químicos, mas não adiantou. O que fazer? José Hamilton Simionato São Simão (SP) Segundo os pesquisadores Edna Clara Tucci e João Justi Júnior, do Instituto Biológico, o bicho-de-pé (Tunga penetrans) alimenta-se de sangue e aloja-se na pele do hospedeiro - os principais hospedeiros são homem, porco, cão, gato e roedores - e provoca infecções. "Locais sombreados são os preferidos para o desenvolvimento desta pulga", afirmam. O homem adquire o bicho-de-pé ao caminhar descalço em áreas infestadas, que, normalmente, são os próprios chiqueiros ou áreas próximas a essas criações. Os sintomas, dizem os pesquisadores, são inchaços dolorosos ao redor de onde o inseto penetrou. "Penetra principalmente no pé, calcanhar e cantos dos dedos do pés e das mãos, mas pode se alojar em qualquer parte do corpo. Na pele, penetra apenas a cabeça, deixando para fora a extremidade posterior do abdome", explicam. Com o acúmulo de ovos, o abdome se expande, atingindo o tamanho de uma ervilha. Ovos maduros são, então, expelidos e a fêmea produz de 150 a 200 ovos. "Em solo úmido, eles dão origem às larvas, que se desenvolvem no solo, em locais protegidos da luz." Como formas de controle, o primeiro passo é identificar no ambiente locais propícios para o desenvolvimento do bicho-de-pé (casos ocorrem com freqüência em chiqueiros). Deve-se, depois, fazer a limpeza de folhas secas, o corte da grama e a manutenção periódica do jardim, já que o desenvolvimento da pulga se dá em locais sombreados. Outra prática de controle é lavar o lugar onde cães e gatos dormem, deixando panos e cobertores de molho por um dia em água e sabão e secando-os ao sol para eliminar larvas. Para prevenir novas infestações, a recomendação é proteger os animais com inseticidas de longa ação residual, pois as pulgas podem sobreviver no ambiente por longos períodos. "Se o hospedeiro for uma pessoa, a recomendação é consultar um médico para retirar o parasita e higienizar devidamente o local. Biológico, tel. (0--11) 5087-1700. Onde comprar mudas de cuieira Onde posso obter sementes da árvores "cuieira" (Crescentia cujete)? Esta árvore dá frutos que servem para fazer cuia e pode ser cultivada como planta ornamental. Antonio S. Giacomelli Porto Ferreira (SP) A Fazenda São Luiz, que fica entre os munícipios de São Joaquim da Barra e Morro Agudo, no noroeste de São Paulo, faz coleta de sementes de plantas nativas da região em suas terras. "Nós temos a planta da cabaça, a Crescentia cujete, mas estamos só no começo da colheita. Ainda não sei quanto teremos este ano", diz o proprietário da fazenda, Rodrigo Junqueira. Junqueira faz mudas com as sementes que coleta, para estudos e para o viveiro, e vende ou troca o excedente. "Às vezes a pessoa tem mudas de alguma planta que nos interessa. Nesses casos, trocamos. Com sementes também", explica. Com relação à planta da cabaça, o fazendeiro só vai saber se terá excedente no começo de agosto. O telefone para contato é (0--16) 3859-8006, em horário comercial. No site da fazenda tem a lista completa das espécies à disposição. Aruana causa doença da cara inchada Sou produtor em Andradas, no sul de Minas.Tenho alguns animais no pasto, propriamente cavalos. Plantei capim aruana para pastagem de tais animais. Soube por terceiros que esse tipo de capim causa inchaço na cauda do animal. Gostaria de saber se isso é verdade ou não. Paulo Sérgio Franco Andradas (MG) Segundo o médico veterinário Aluísio Marins, da Universidade do Cavalo, o capim aruana não deve ser fornecido para eqüinos porque tem um alto nível de oxalato, que segura o cálcio, não deixando produto agir na ossatura, causando a doença da cara inchada (e não cauda inchada). Marins informa que consultou o professor Alexandre Gobesso, da USP de Pirassununga (SP) , e o mesmo confirmou que o aruana provoca a doença da cara inchada em eqüinos, problema que afeta principalmente potros na fase de crescimento. "A doença é irreversível e o animal a carrega pelo resto da vida", afirma. Uma das sugestões, se o animal se alimentar com o aruana, é fazer uma suplementação mineral de excelente qualidade, mas, mesmo assim, não tem garantia de 100%. "O ideal é oferecer um capim próprio para cavalo, como o tifton ou coast-cross." Planta é tomate francês ou arbóreo Na lateral do Posto Girassol, em Araraquara, há uma planta que desde o fim do ano passado está cheia de frutos. Estou enviando fotos e gostaria que o Agrícola ajudasse a identificá-la. Dizem que é guaraná, mas para mim não tem nada a ver. Alcyr S. Giacomelli Araraquara (SP) Segundo o jornalista Luiz Roberto de Souza Queiroz, a planta em questão é tomate-arbóreo, mais conhecido como tomate-francês ou tamarijo, um fruto peruano pouco cultivado no Brasil, por isso, o desconhecimento dos funcionários do posto. A fruta nada tem a ver com o guaraná, que não é árvore, mas um cipó lenhoso e cuja característica mais chamativa é o fato de os frutos serem tricolores: a casca lembra muito uma pitanga e se abre quando o fruto amadurece, do centro da abertura surgem sementes redondas, bem negras, envoltas numa polpa branca. Já o tomate-francês, de nome científico Cyphomandra betacea, é um arbusto não-lenhoso, reto, que chega a 4 metros de altura, como o exemplar mencionado e que floresce e frutifica várias vezes por ano. Seus frutos têm o tamanho de uma ameixa, portanto, muito maiores e também mais vermelhos que os do guaraná, e uma característica da planta é que apresenta simultaneamente flores, frutos verdes e maduros. Apesar do nome e da semelhança quando aberto, o sabor do tomate-francês não lembra o do tomate, é levemente ácido, aromático e serve para consumo cru ou em conserva. Para comparação, procurar o livro Frutas Brasileiras e Exóticas Cultivadas, assinado por vários agrônomos, edição do Instituto Plantarum de Estudos da Flora Ltda, endereço eletrônico plantarum@plantarum.com.br. Leitor diz que capim anoni chegou a SP A propósito da matéria de 18/7, com o título Pragas verdes, o leitor Antonio Carlos da Gama, de São Paulo (SP), informa que o capim anoni está infestando a sua fazenda, em Itatinga, no noroeste de São Paulo. Gama conta que comprou no Rio Grande do Sul sementes de capins nativos, que não vingaram. "Mas, para minha surpresa, nasceu um outro, de folhas finas, que a gente acreditava ser o barba-de-bode. Só agora, vendo a foto na reportagem, descobri que se trata do anoni." O capim infestou o pasto, cresce rapidamente, mas nenhum animal quer comê-lo, reclama. O leitor informa que passou herbicida e enxadão, métodos de controle indicados para erradicar o barba-de-bode, sem êxito. "Vou arar três a quatro vezes a partir de agosto, e plantar milho no próximo ano, para ver se consigo minimizar a invasão." A tarefa do leitor será árdua, pois ainda não existe método científico ou prático para o controle do capim anoni.

O Estado de S.Paulo

25 Julho 2007 | 02h58

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