Espaço pesa mais que classe social

Para pesquisador, famílias de todas as classes estão dispostas a pegar cães ou gatos, se houver área disponível

Felipe Oda, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2009 | 00h00

Segundo o professor e coordenador do estudo da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP), Ricardo Augusto Dias, os números ajudam a desconstruir a "falsa impressão de que exista mais cães na periferia do que em regiões nobres". "Não existe uma relação em ter mais ou menos cães com o nível socioeconômico. Acreditamos que a quantidade está ligada ao espaço disponível."

Assim, bairros compostos por imóveis (residenciais ou comerciais) com áreas externas grandes abrigam a maior parte da população canina. "Já em áreas verticalizadas, independentemente se ricas ou pobres, a concentração de felinos é maior", completa Dias. Para o levantamento, os pesquisadores da USP visitaram 12 mil residências.

Pela primeira vez, animais em imóveis comerciais foram contabilizados nesse tipo de pesquisa. "Anteriormente, animais que cuidavam de um terreno, empresa, loja ou imóvel abandonado não eram contados. O que, além do crescimento natural das populações, pode ter influenciado nas contagens", explica Ricardo Augusto Dias, coordenador do estudo.

Além da distribuição de cães e gatos na cidade, o censo animal 2008 também servirá para traçar um perfil da saúde das populações animais. Agora, a Prefeitura pretende utilizar os dados para definir as próximas campanhas de vacinação, controle de doenças, castração e adoção. "Eles (a Prefeitura) têm um retrato macro sobre a distribuição de cães e gatos na cidade. Com as informações de cada um dos 96 distritos será possível direcionar as ações e torná-las ainda mais eficazes", afirma o coordenador.

Em regiões como as do Itaim-Bibi, Bela Vista, Consolação, Moema, Jardim Paulista e Pinheiros, 100% das populações de cães e gatos são vacinados em clínicas veterinárias particulares. "O que torna inexpressivas ações de vacinação nesses bairros", ressalta Dias.

Os cachorros paulistanos têm em média 4,9 anos; 52,6% são machos; 16,7% estão esterilizados; 36,1% são vacinados em clínicas veterinárias particulares e 30,4% foram comprados. Já os gatos têm em média 3,9 anos; 41,3% são machos; 40,6% esterilizados; 32,5% vacinados em serviços particulares e apenas 8,7% comprados. "Com os felinos não há a mesma preocupação com a raça. Os sem raça definida são bem aceitos, ao contrário dos cães", diz Ricardo Augusto Dias. "A valorização da raça dos cachorros é puro modismo. Não existe uma escolha consciente e adequada da raça. Aí, quando o animal cresce, o dono o abandona."

O professor ainda alerta para um dado geral das populações: só 20,2% dos animais vão pelo menos uma vez ao ano ao veterinário (frequência sistemática). O distrito do Morumbi, na zona sul, concentra a maior atenção à saúde canina e felina: 69,8% dos animais costumam frequentar o veterinário. Em José Bonifácio, na zona leste, apenas 1,8% dos animais são acompanhados por especialistas.

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