Espanha aumenta exigência de idioma para bolsista

Novo edital do Ciência Sem Fronteiras exige nível intermediário de espanhol; até julho, não era preciso

O Estado de S.Paulo

25 de março de 2013 | 02h07

Enquanto o programa Ciência sem Fronteiras (CsF) tem diminuído a exigência de proficiência em língua estrangeria para o envio de mais bolsistas a países como Canadá, Estados Unidos e Grã-Bretanha, no edital mais recente da Espanha, as normas se tornaram mais rígidas e as facilidades deixaram de ser as mesmas das seleções em outros países. Na prática, as novas regras criam barreiras maiores para o envio de estudantes ao país.

Na chamada mais recente da Espanha, com previsão de divulgação dos resultados em abril, o edital exige conhecimento intermediário comprovado do espanhol. Na seleção anterior - finalizada em julho de 2012 - não havia essa exigência.

O endurecimento nas regras impactou na seleção dos estudantes. Dos 1.524 candidatos inscritos, mais de 70% não conseguiram seguir adiante por uma série de motivos, entre eles não terem alcançado o novo nível exigido do idioma.

Além disso, até os candidatos que têm conhecimento básico de espanhol comprovado não terão direito a um curso de aperfeiçoamento da língua para que possam alcançar o nível subsequente exigido.

Pela familiaridade com o português, para a subida de nível seria necessário apenas um curso intensivo de até 2 meses no Brasil ou então de 30 dias na Espanha. O tempo para a melhoria não atrapalharia o cronograma da seleção - as aulas começarão depois de julho. Antes, era previsto aperfeiçoamento no exterior.

Segundo o Estado apurou, a administração do programa busca equalizar cada vez mais a distribuição dos bolsistas nos mais de 20 países participantes do CsF. Atualmente, Portugal e Espanha - com menos instituições de excelência internacional quando comparados a países como EUA e Grã-Bretanha, e até com instituições piores que algumas brasileiras - concentram quase 30% dos bolsistas.

Mesmo possuindo todos os requisitos do CsF, o estudante de Engenharia Ambiental da USP Rodrigo Paiva, de 25 anos, não conseguiu ser selecionado para a Espanha. Ele obteve o certificado de nível básico.

"Os candidatos a Portugal simplesmente tiveram a opção de mudar de país e vão ser beneficiados com um curso de aperfeiçoamento. Onde está a legitimidade disto?", questiona Paiva.

As mudanças prejudicam pelo menos outros 150 estudantes. "Entramos em contato com diversas universidades espanholas, muitas delas, como a de Cantábria e a Autônoma de Barcelona, não exigem comprovação no idioma e ofertam cursos de língua", afirma a estudante de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do ABC (UFABC) Ariane Corrêa

Consultado, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), um dos órgãos que administram o programa, informa que a mudança para o nível intermediário foi uma exigência da Fundación Universidad, parceira do programa na Espanha.

O órgão, no entanto, revelou que "dentro das vagas disponíveis, será concedida a mesma possibilidade da chamada de Portugal", que permite a troca de países e curso imersivo no exterior no novo destino. / D. L.

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