Espanha descarta ajudar empresa espanhola envolvida em disputa no Canal do Panamá

A Espanha afirmou nesta segunda-feira que não vai apoiar financeiramente a empresa Sacyr, líder do consórcio que ameaçou suspender as obras de ampliação do Canal do Panamá por divergências sobre os custos, numa disputa com o órgão que administra a passagem interoceânica da qual os governos dos dois países parecem querer se distanciar.

LOMI KRIEL E ELIDA MORENO, Reuters

06 de janeiro de 2014 | 20h03

Uma delegação do governo espanhol encabeçada pela ministra do Desenvolvimento, Ana Pastor, se reuniu nesta segunda-feira com o governo panamenho para buscar um acordo para a divergência entre o consórcio liderado pela espanhola Sacyr e a Autoridade do Canal do Panamá (ACP).

Na saída do encontro, porém, Ana e o presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, insistiram em que se trata de uma disputa entre empresas privadas e a ACP, órgão autônomo, e deve, portanto, ser resolvida entre as partes envolvidas.

"A autoridade do Canal e o consórcio têm de resolver entre si todos os seus problemas", disse o presidente panamenho a jornalistas. "Estamos certos de que o resultado das reuniões que estão sendo feitas entre eles vai resolver qualquer conflito", destacou.

Ana, por sua vez, garantiu: "O que estamos fazendo é reunir as partes para tentar encontrar uma solução", disse ela, que afirmou ainda que "esse é um problema entre uma entidade privada e uma entidade que é independente, segundo a Constituição (do Panamá)".

Anteriormente, o embaixador da Espanha no Panamá, Jesús Silva, havia descartado a possibilidade de que seu país, em meio a uma grave recessão, fosse oferecer qualquer tipo de ajuda financeira à Sacyr para que leve adiante a obra multimilionária.

"Não, de modo algum, o governo espanhol não é parte, esse é um problema entre um contratante e seu cliente... o governo não é parte e em caso algum se considera que o governo espanhol coloque recursos", assinalou.

O consórcio Grupo Unidos pelo Canal (GUPC), integrado também pela italiana Impregilo, a belga Jan De Nul e a panamenha Constructora Urbana, ameaçou em 1 de janeiro suspender as obras, pleiteando receber cerca de 1,6 bilhão de dólares do governo do país centro-americano, valor atribuído a sobrecusto causado por falhas geológicas não previstas.

O projeto a cargo do consórcio tem custo estimado em 3,2 bilhões de dólares.

Em julho de 2009, a Sacyr e suas sócias ganharam a licitação do projeto com uma proposta abaixo do preço de referência de 3,48 bilhões de dólares estipulado pela ACP e, consideravelmente, menor do que ao menos outro dos concorrentes.

O chefe da ACP, Jorge Quijano, disse que o país está preparado para negociar os custos adicionais se não forem justificados, e um funcionário panamenho declarou à Reuters que o governo considera a possibilidade de criar um fundo com todas as partes envolvidas.

(Reportagem adicional de David Adams, em Miami)

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