Espanha suspendeu atendimento a ilegais

Para conseguir a garantia da assistência médica no país, o imigrante irregular tem de pagar pelo menos 700 euros por ano

GENEBRA, O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2012 | 02h04

Na Espanha, uma das estratégias do governo para tentar superar os problemas com o orçamento da saúde foi suspender o atendimento gratuito a imigrantes irregulares. A nova lei, a três meses em vigor, tem causado polêmica. Ontem, a população foi às ruas para protestar contra os cortes feito nos gastos sociais.

O imigrante ilegal que quiser garantir o atendimento médico no país tem de pagar pelo menos 700 por ano, mesmo que use o sistema apenas para uma consulta. A meta é atender só os que pagam impostos regularmente.

Em um levantamento feito pela entidade Médicos do Mundo, casos de pacientes foram relatados para exemplificar o impacto humano da nova lei. Na região de Castilla-La Mancha, médicos diagnosticaram um câncer na marroquina Fátima. O tumor foi retirado, e ela se submeteu à quimioterapia. Mas, por estar irregularmente no país e sem emprego, não tem como pagar uma consulta para que seu caso seja acompanhado adequadamente.

Em Madri, a venezuelana Carolina sofre de epilepsia, mas não tem acesso a remédios nem aos neurologistas que a tratavam.

Carles Dieguez, sindicalista e funcionário do Hospital Vall d'Hebron, o maior da Catalunha, alerta que os cortes nos orçamentos estão sendo sentidos tanto por médicos quanto pelos pacientes. "Funcionários estão sendo obrigados a trabalhar mais, por um salário menor."

Estima-se que, dos 5,7 milhões de estrangeiros que vivem na Espanha, 500 mil sejam ilegais. Desses, cerca de 150mil usaram o sistema de saúde no ano passado. / J.C.

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