Espanhol é condenado por tráfico de mulheres em GO

Em escutas telefônicas, brasileira recrutava garotas goianas para sustentar o esquema de prostituição

Paulo R. Zulino, estadao.com.br

11 de março de 2008 | 09h16

O espanhol Aquilino Gonzalez Iglesias foi condenado pela Justiça brasileira a mais de 13 anos de prisão pelos crimes de tráfico internacional de mulheres e formação de quadrilha, após denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal em Goiás (MPF-GO).   Mulheres goianas eram seduzidas a trabalhar com Aquilino Gonzalez em sua casa noturna na Espanha, o clube "Las Ninfas". O esquema era sustentado no Brasil pela cunhada do espanhol, Magna Pires da Costa. Em escutas telefônicas, a brasileira usava o codinome Karen e atuava no recrutamento de garotas goianas para sustentar o esquema de prostituição. A aliciadora foi condenada a mais de 10 anos de prisão. Uma das atribuições dela era aliciar mulheres com boa aparência física. Fotos das garotas eram enviadas ao espanhol, que selecionava as candidatas. Aprovadas, as meninas recebiam orientação de como deveriam proceder para viabilizar a viagem. Quando os passaportes ficavam prontos, eram entregues por um motoboy junto às passagens aéreas. Todos os custos com a viagem, inclusive o dinheiro para passar pela imigração estrangeira, eram financiados pelo espanhol. Todas as meninas do esquema tinham como destino à cidade espanhola de Vigo.Ao chegar à Espanha, as brasileiras já possuíam uma dívida de quase R$ 9 mil com a quadrilha e ainda eram obrigadas a pagar diárias de R$ 150 ao proprietário da boate. Sem conseguir saldar a dívida, as mulheres eram maltratadas e coagidas. De acordo com a polícia da Espanha, as garotas recebiam ameaças de morte. A denúncia do Ministério Público goiano incluía oito pessoas no esquema, das quais quatro foram absolvidas. Além do espanhol e sua cunhada, foram condenadas ainda Edite de Souza e Patrícia Miranda de Moraes Araújo.O Clube "Las Ninfas" registrou lucro de quase 2 milhões de euros, equivalentes a cerca de R$ 6 milhões, entre 2005 e 2006, período em que o esquema foi denunciado. Os bens e valores adquiridos no Brasil com o dinheiro do crime, de acordo com a decisão judicial, devem ser perdidos em favor da União.

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