Especialistas divergem sobre idade para iniciar aprendizado

É importante ficar atento ao envolvimento e interesse da criança nas[br]aulas, que não podem ter muitas cobranças

Paula Moura, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2010 | 00h00

Especialistas divergem sobre a melhor idade para começar a aprender um novo idioma. Mas concordam que é necessário que os primeiros contatos aconteçam após a criança começar a falar e entender a língua materna - e eles sejam feitos de forma lúdica, sem muitas cobranças.

Vital Didonet, da Organização Mundial para a Educação Pré-Escolar, indica como melhor época entre os 2 e 3 anos. "Os bebês investem toda a energia cognitiva para captar e entender o que estão lhe dizendo. Assim, se uma pessoa falar em outro idioma, ele não capta e não apreende nem a especificidade do que está sendo pronunciado", diz.

Adriana Foz, psicopedagoga especialista em neuropsicologia, também aponta a melhor época na infância, porém não faz ressalvas a um estímulo mais precoce - desde que não haja exageros. "A idade ideal para aprender a segunda ou terceira língua é aproximadamente até os 3 anos. Dos 3 aos 8 é o segundo melhor momento, pois a janela de oportunidade ainda está aberta."

O caminho mais indicado, segundo especialistas, é que o aprendizado de idiomas na infância aconteça durante as brincadeiras. "Essa deveria ser a regra para qualquer aprendizagem nessa fase de crescimento. Estudos mostram que a criança que não brinca ou brinca pouco tem um cérebro menos desenvolvido", diz Didonet.

Além disso, o aprendizado deve estimular formas múltiplas de inteligência e respeitar o desenvolvimento infantil. "Uma forma de saber se o estímulo está sendo positivo é observar o quanto o filho está envolvido e interessado", afirma Adriana.

Outro ponto importante é o estímulo dentro da própria casa - uma nova língua é mais facilmente aprendida se os pais também a falam. "A língua está em todas as comunicações da mãe, do pai, dos irmãos, dos que rodeiam a criança, nas ordens e orientações, nos pedidos e restrições, nas explicações e respostas às suas demandas", diz Didonet.

Divergência. A educadora e pedagoga Coli Casanta discorda e afirma que a infância deve ser preservada de estímulos como o aprendizado de novas línguas. "O tempo na infância é precioso e é quando se forma a base da personalidade." Ela abre uma exceção para famílias bilíngues - mesmo assim, sem sobrecarregar a criança. "Considero o inglês e mais uma língua essenciais atualmente, mas é melhor começar após os 10 anos, ou teremos adolescentes cansados." /P.M.

Naturalidade

VITAL DIDONET

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL PARA A EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR

"A criança é prática e concreta. Não lhe interessa coisas "para o futuro". Na infância, o uso de uma ou mais línguas tem de ser espontâneo, natural. A criança deve perceber que as pessoas se comunicam naquela língua porque é a linguagem delas."

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