Especialistas em orquídeas

Colônia japonesa de Santo Antônio do Pinhal produziu, na safra [br]encerrada em outubro, 100 mil vasos da flor

João Carlos de Faria, O Estado de S.Paulo

05 Novembro 2008 | 02h36

A recém-encerrada safra de orquídeas de Santo Antônio do Pinhal, pequeno município localizado próximo de Campos do Jordão, nas encostas da Serra da Mantiqueira paulista, deve render 100 mil vasos e mais de 1 milhão de galhos (mudas), principalmente das variedades cymbidium - a pioneira, cujas primeiras mudas foram trazidas do Japão há 33 anos - e ondicium. Dominado sobretudo pela colônia japonesa do município, o cultivo de orquídeas já incorpora modernas técnicas, como clonagem e multiplicação por meio de polinização em laboratório. De olho no segmento de colecionadores, os produtores Kenji e Claudia Yao Okabe, do Sítio Yao, se dedicam a reproduzir em laboratório variedades mais raras, por cruzamento (os híbridos) ou a partir de sementes colhidas na natureza. Claudia é filha de Mitiko Yao, a proprietária do sítio, no ramo há mais de 30 anos. VARIEDADE E QUANTIDADE "O consumidor comum quer flores grandes, coloridas, bonitas. Já os colecionadores buscam variedades diferentes e raras e preferem as nativas. É um mercado pequeno que busca variedade; o mercado convencional quer quantidade", explica Kenji. Do sítio saem cerca de 10 mil vasos da flor por ano, sendo 60% para o mercado convencional e 40% para colecionadores. O preço do vaso varia de R$ 15 a R$ 20. Segundo o produtor, o clima é o que mais favorece o cultivo de orquídeas em Santo Antônio, mas um dos fatores que dificultam a tarefa de produção de variedades raras é o tempo que se leva para conseguir chegar à floração. "Uma planta pode levar até cinco anos para florescer", afirma. Para a engenheira agrônoma Maria Assunción Ascue Lizasco, da Casa da Agricultura local, a dedicação e paciência são características próprias da colônia japonesa, qualidades perfeitas para o cultivo de orquídeas, "muito trabalhoso", diz. Desde que, há 33 anos, o cultivo foi introduzido no município, trazido pelo pioneiro Shiguero Takayama, substituindo boa parte dos antigos pomares e hortas, as gerações foram se sucedendo no comando da produção. TERCEIRA GERAÇÃO Hoje, a maior parte das famílias já está na terceira geração, como o engenheiro agrônomo Marcelo Kawakani, cuja tradição familiar em orquídeas começou há mais de 20 anos, pelo seu avô Massao Kawakani. Antes de cultivar flores, a família trabalhava com a criação de frangos e com frutas. "Santo Antônio do Pinhal tornou-se referência em orquídeas por causa do clima e da colônia japonesa." A família Kawakani é uma das maiores produtoras, com 15 mil vasos e 25 mil galhos por ano, vendidos sobretudo em Holambra (SP). Além disso, há cerca de dez anos, Kawakani juntou-se aos produtores Antonio Ywasak e Kenji Okabe, do Sítio Yao, para instalar um galpão na estação Eugênio Lefrév, ponto de parada do trenzinho de turistas da Estrada de Ferro Campos do Jordão. No galpão eles vendem diretamente ao consumidor e os preços podem chegar a R$ 100, mas em média custam R$ 15 o vaso. Uma das variedades mais procuradas é a odontocidium, cruzamento das variedades oncidium e ondontoglossum, por causa do seu cheiro de chocolate. O vaso custa R$ 60. INFORMAÇÕES: Casa da Agricultura, tel. (0--12) 3666-1690

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