Especialistas listam brechas de projeto

Proprietários que alteram motor de veículos

O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2013 | 02h11

novos comprometem as

revisões oferecidas pelos próprios fabricantes

Além de usar como base o modelo adotado por outros países, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), tem defendido que é possível liberar os carros novos, de até dois anos, da inspeção veicular porque seria responsabilidade das montadoras resolver eventuais falhas durante o período de garantia. Como hoje muitos fabricantes têm oferecido até duas revisões, os problemas poderiam ser sanados lá.

Para o consultor Gabriel Murgel Branco, que analisa os resultados dos veículos submetidos à inspeção, as emissões dos carros novos, no entanto, não são desprezíveis, e a mudança pode ser prejudicial ao ambiente.

Ao medir as reduções obtidas pela vistoria, ele considerou a idade dos veículos, e observou que aqueles com até cinco anos apresentavam um ganho semelhante aos mais velhos.

"Tem virado moda mexer no carro para mudar a carburação eletrônica e assim baixar o consumo e ganhar potência ou então transformar o carro em flex ou a gás natural. Com isso, o carro pode passar a poluir de 15 a 20 vezes mais", afirma.

"Nessas condições, o catalisador sai de cena, vira um carro de 1980. O pessoal fala que são só 3% que fazem isso, mas multiplicado pelas 20 vezes que emitem mais, equivale a aumento de 60% da frota inteira. Então tem de inspecionar todo mundo por causa desses", defende.

No caso dos veículos a diesel, ele afirma que dos 28% de redução no material particulado observado em 2011, de 4% a 5% foi obtido com os mais novos. "Dispensar é perder na certa."

Para Silvio Figueiredo, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, se é para mudar o modelo, o melhor seria tentar focar os veículos que ainda não participam da inspeção - mais de 30%, segundo estimativas da Controlar.

"Tirar os carros novos pode trazer algum prejuízo, mas muito maior deve ser daqueles que fogem da inspeção, que em geral são mais velhos e sem controle, e aqueles que circulam por aqui, mas têm placa de fora e não se submetem à inspeção. Tecnicamente é o que faria mais sentido", diz Figueiredo.

Quanto à proposta de fazer a inspeção a cada dois anos, o pesquisador da USP Paulo Saldiva pondera que São Paulo não pode ser comparada com capitais europeias. "Em Berlim, onde o carro tem tecnologia alemã e o combustível é melhor, há transporte coletivo para todo mundo, então talvez não tenha problema fazer a inspeção a cada dois anos. Mas não é o que temos aqui", afirma ele. "Enquanto não tivermos políticas e remédios estruturais para o problema, não dá para abrir mão." / G.G.

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