Espumas das alturas

Em pouco mais de dez anos, a região de São Joaquim, em Santa Catarina, virou um lugar de vinhos de destaque. O Estado não tinha nenhuma tradição vinícola. Nem mesmo parecia plausível a produção de vinhos catarinenses. Foi maluquice mesmo, com uma boa dose de intuição e um investimento em pesquisa, porque doideira sem base é exagero.

Luiz Horta,

06 Janeiro 2011 | 08h15

A primeira vinícola catarinense a ser conhecida no Brasil foi a Villa Francioni, do empresário Dillôr Freitas, com seu enólogo incrível, o atrevido, criativo e simpático Orgalindo Bettú.

O que motivava o empreendimento era a noção, bem explorada por Catena Zapata, em Mendoza, de que a altitude compensa a latitude desfavorável. Catena diz que a cada 100 metros a mais na altitude de seus vinhedos, a temperatura cai 1°C, influenciando a maturação das uvas. O resultado é uva amadurecida com calma, sem resultar nas bombas de álcool e desequilíbrio tão comuns nos vinhos do Novo Mundo.

Depois da fama obtida pela Francioni, e com investimentos de entidades ligadas à agricultura, a região disparou.

A cada ano mais vinícolas surgem por lá, e foi fundada a Acavitis, Associação Catarinense de Produtores de Vinhos Finos de Altitude, nome longo o suficiente para tirar o fôlego nas alturas entre 900 metros e 1.400 metros do Planalto Catarinense, englobando as regiões de São Joaquim, Caçador e Campos Novos. O que começou sutilmente e tateando, tem hoje 32 produtores.

O Glupt! planejava tratar do assunto desde o evento Paladar - Cozinha do Brasil, em julho, quando houve uma ampla degustação de vinhos catarinenses. A coluna começa hoje a visita às alturas de Santa Catarina, com os espumantes. Depois virão os rosados, tintos e brancos.

A surpresa nesta primeira prova, além da qualidade, foi o preço. O delicioso Moscatel, que me entusiasmou, tem um preço imbatível. Além disso, a safra corrente no mercado é a 2010, mas bebi o espumante de 2005, que com cinco anos de idade não mostrava traço algum de decadência - ao contrário, ganhara complexidade e corpo. Um acontecimento, esse Moscatel tão mineral.

 

Moscatel

Vinícola Santa Augusta

Muita fruta com boa acidez, sensação agradável de morder uma uva gelada, algo que no caso dos Moscatéis é virtude. Toque mineral importante e corpo médio que enche a boca. Muito bom

Brut

Villagio Grando

Nariz com traço evolutivo. Tem um toque rústico muito sedutor

Branco Brut

Vinícola Pericó

Boa acidez, ótimo equilíbrio e com simpática presença no paladar

Santo Emílio Rosé

Vinícola Stellato

Nariz atraente, um pouco curto na boca

 

Quanto custa bebê-los

Moscatel (Santa Augusta, tel. 49/3533-8181)            R$ 18

Brut (Villagio Grando, tel. 49/3563-1188)                  R$ 28

Branco Brut (Cave Pericó, tel. 49/3233-1100)           R$ 40

Brut Rosé (Santo Emílio, tel. 49/3223-0208)              R$ 38

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