Esquerda deixa coalizão e pode haver nova eleição na Grécia

O líder esquerdista Alexis Tsipras desistiu nesta quarta-feira de tentar formar um novo governo para a Grécia, ampliando a possibilidade de que o país tenha novas eleições dentro de algumas semanas, após o inconclusivo pleito de domingo passado que apontou uma forte rejeição popular ao resgate internacional.

HARRY PA, REUTERS

09 Maio 2012 | 20h03

Os tradicionais partidos Nova Democracia (conservador) e PASOK (socialista) foram os maiores derrotados pela insatisfação dos gregos contra medidas de austeridade impostas em troca do resgate financeiro da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O impasse pós-eleitoral mergulhou o país em uma grave crise política, e levou a ameaças europeias de exclusão da Grécia do euro.

Os governos europeus mantiveram a Grécia solvente por enquanto, concordando em liberar uma parcela de 4,2 bilhões de euros na quinta-feira, o que permitirá que Atenas honre títulos com vencimento no curto prazo. Mas, em um sinal de crescente insatisfação com a situação na Grécia, outra parcela de 1 bilhão de euros foi retida, provavelmente até o mês que vem.

Tsipras, líder da Coalizão Esquerda Radical, havia sido encarregado de tentar formar um governo depois que o Nova Democracia, partido mais votado no domingo, admitiu não ter como formar maioria.

Mas o Nova Democracia e o PASOK rejeitaram participar da coalizão esquerdista, pois a pré-condição para isso seria renegar o pacote internacional.

A tarefa de tentar formar o governo será agora delegada ao líder do PASOK, Evangelos Venizelos. Caso ele também fracasse, uma nova eleição deve ser convocada para dentro de três a quatro semanas.

"Nossa proposta desfrutava de apoio amplo na sociedade, mas fraco no Parlamento. Não seremos capazes de realizar nosso sonho de um governo de esquerda", disse Tsipras à sua bancada, a segunda maior no Parlamento eleito domingo.

Antonis Samaras, líder da Nova Democracia, disse que rejeitou um acordo com Tsipras porque ele queria "a saída da Grécia do euro e a falência do país". "Isso é algo que não farei", acrescentou ele, após reunião com o líder esquerdista.

Venizelos afirmou que tentará conciliar as forças políticas, mas não parece haver margem para um acordo entre os grupos pró e contra o pacote de resgate financeiro. “"Devemos formar um governo e dar ao país uma perspectiva de futuro, esperança e segurança", afirmou o dirigente socialista, que deve receber na quinta-feira um prazo de três dias para formar uma coalizão.

O Nova Democracia e o PASOK se alternam há décadas no poder na Grécia, e juntos negociaram o pacote de fevereiro que resultou na entrega de 130 bilhões de euros ao país. No domingo, eles receberam menos de um terço dos votos, e ficaram a dois deputados de formarem maioria parlamentar.

As pesquisas mostram que a grande maioria dos gregos quer manter o euro como moeda -o que é amplamente visto como impossível sem um resgate internacional-, mas estão furiosos com os dois partidos tradicionais, vistos como culpados por uma das piores recessões da Europa desde a Segunda Guerra Mundial, pelo desemprego recorde e pela corrupção endêmica.

A maioria da população acredita que os cortes exigidos pela UE e o FMI só estão piorando a situação, por agravarem o desemprego e impedirem uma recuperação econômica.

(Reportagem adicional de Karolina Tagaris, Dina Kyriakidou, Renee Maltezou, Ingrid Melander, Tatiana Fragou, Lila Chotzoglou e Luke Baker em Bruxelas)

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