Esta confraria faz bodas de prata com o vinho

O Grupo do Amarante, fundado em 1983, já provou e analisou cerca de 3 mil rótulos

Luiz Horta, O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2008 | 03h33

Fundada por José Osvaldo Albano do Amarante em fevereiro de 1983, numa época em que vinhos eram raridade no Brasil e bebê-los às cegas e comparativamente, com fichas de degustação e método, devia parecer uma atividade clandestina de uma seita extravagante, a confraria que leva seu nome, o Grupo do Amarante, completa agora bodas de prata com tintos, brancos e companhia. Amarante é pioneiro no estudo do vinho brasileiro, grande especialista em vinhos portugueses e autor de um livro-chave dos enófilos nacionais: Vinhos do Brasil e do Mundo (Ed. Summus, 1983). Lançou recentemente Os Segredos do Vinho (Ed. Mescla, 2005). Tem inúmeras publicações em revistas especializadas. Do grupo inicial que ainda milita em torno à boa mesa estão nomes como Saul Galvão, colunista do Estado; Ciro Lilla, presidente da importadora Mistral; Jorge Carrara, colunista de vinhos; Ennio Federico, gourmet; e Belarmino Iglesias Filho, proprietário da rede Rubayat. Amarante calcula que o grupo já provou perto de 3 mil rótulos, todos sempre analisados com rigor e discutidos em detalhes. E crê que o grupo tenha a primazia de ter submetido o primeiro Vega Sicilia a esse tipo de prova no Brasil, um 1967 trazido da Espanha na mala de um dos confrades, como era a realidade daqueles anos anteriores à atual facilidade de garrafas mantidas climatizadas e oferecidas em catálogos amplos. As reuniões mensais não têm registro de falha na regularidade, mudando apenas de local, acolhidas sempre nas melhores mesas de São Paulo. Passaram pelo antigo Fasano e ficaram 11 anos no Massimo. As degustações são temáticas e cada um leva o próprio set de copos padrão Inao numa maletinha. Tudo é anotado e registrado de maneira cientifica. As provas são profissionais e rigorosas, conduzidas pelo próprio Amarante e nada devem às dos grandes críticos britânicos. Mas são seguidas por boa comida, afinal a razão de amar o vinho é o prazer de bebê-lo. Para comemorar a data e planejar os próximos anos o grupo se reunirá num jantar no Fasano, onde não faltarão boas lembranças desse pedaço importante da história do vinho no país.

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