Esta você pode repetir em casa: prove uma bebida em vários copos

O copo descartável 'matou' todas as bebidas provadas - destoa até na foto

Olívia Fraga,

14 Outubro 2010 | 08h24

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Se você pensa que todo esse papo de copos específicos para cada bebida é coisa de "drinkochato", aproveite a oportunidade para repetir por conta própria a experiência que o Paladar fez no bar do restaurante Kinoshita.

Nossa ideia era tentar um consenso (etílico que fosse) sobre o "prodígio dos copos inteligentes" e verificar se um recipiente tem mesmo o poder de modificar a bebida na boca.

O bartender do restaurante, Henrique Medeiros, nos recebeu com um verdadeiro arsenal tumblers, taças e garrafas, dispostos sobre a mesa de par em par. E nós levamos uns copinhos de plástico descartável, supondo que um restaurante como o Kinoshita não teria destes no bar. Não tinham, claro.

Fomos mudando a bebida de um copo para outro e avaliando o efeito em cada caso.

Escolhemos a água para abrir os trabalhos. Com gás e sem gás. No copo de cristal de borda curva a água atingiu sua melhor performance. Pareceu mais fresca e salina. O formato da borda força os lábios a se moldarem num biquinho, dirigindo o líquido para o centro da língua, o lugar certo para a bebida de sabor neutro.

Já no copo de borda reta, em que a boca pode se abrir mais e deixar entrar mais ar, o sabor não muda, mas a água já não parecia tão fresca. O copo de plástico descartável dispensa comentários - você com certeza já passou pela experiência, em alguma festa ou piquenique precário. Aliás, vamos poupar tempo: o copo de plástico descartável matou todas as bebidas, sem exceções.

Fomos ao uísque. Medeiros nos serviu o spirit em um clássico tumbler on the rocks e na taça de degustação. No copo baixo (tumbler), os aromas explodem no nariz: o álcool evapora de maneira homogênea - num simples inspirar sentimos todas as nuances da bebida. Inebriante e confusa, a bebida fica extremamente alcoólica. Na boca, o tumbler jogou o uísque para todos os lados, queimando os lábios - no segundo gole é instintivo fazer biquinho para levar a bebida à ponta da língua, onde se nota o doce.

Já a taça oficial de uísque tem nariz mais discreto. O álcool precisa volatilizar, e para isso, giramos o líquido no copo. A taça faz a bebida descer macia, realça a doçura e mascara o amargor final do uísque. Foi o melhor resultado entre os copos. Ganhou do "copo de uísque".

Quando chegamos à vodca, não deu outra: o copo de shot evidenciou aroma e sabor. Seu design é mais apropriado à bebida que o da taça de degustação - no shot, o nariz fica de fora, enquanto na taça o nariz se encaixa dentro do copo e a gente respira e bebe ao mesmo o tempo: em pouco tempo o álcool começa a incomodar e faz a gente afastar a taça da boca.

E a bojuda taça de conhaque? Henrique Medeiros nos trouxe um copo de boteco simples e a taça ideal para degustação (conhecida como snifter). O formato arredondado do snifter abriu todos os compostos da bebida - surgiram perfumes de amêndoa e caramelo. Na boca, a taça também ganha. O nariz se projeta para dentro do repiciente, mas neste caso não há problema porque a grande área livre dentro da taça de conhaque faz o álcool circular e não perturba.

Restava ainda um pouco de uísque na taça de degustação. Se os experts estivessem certos, o nariz estaria muito mais rico. Na mosca. Vinte minutos depois, apareceram baunilha, caramelo, e a bebida parecia ainda mais viva.

 

 

 

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