Estabilização do solo em SC deve levar 6 meses

Terrenos receberam cerca de mil litros de água por metro quadrado

AE, Agência Estado

04 Dezembro 2008 | 08h19

Os terrenos que receberam a chuva recorde do mês de novembro, equivalente a mil litros de água por metro quadrado, vão demorar pelo menos seis meses para se estabilizar. Enquanto isso, o solo permanecerá instável e sujeito a novos deslizamentos, por causa do maior ciclo de chuva que já caiu sobre a região do Vale do Itajaí, a mais atingida pela enchente em Santa Catarina, onde oficialmente 118 pessoas morreram - 98% vítimas de deslizamentos.  Veja também: SC pede que Estados parem de mandar doações Saiba como ajudar as vítimas das chuvas  Mais de 30 mil voltam para casa em SC TBG retoma obras de reparo do gasoduto Saúde SC notifica 62 suspeitas de leptospirose Paraná encerra doações a Santa Catarina Solo pode demorar 6 meses para estabilizar Trabalhos na encosta impedem liberação de BR 4,5 mil seguem sem energia no Estado IML divulga lista de vítimas identificadas Repórteres relatam deslizamento em Ilhota  Mulher fala da perda de parentes em SC Tragédia em Santa Catarina  Blog: envie seu relato sobre as chuvas  Veja galeria de fotos dos estragos em SC   Tudo sobre as vítimas das chuvas    Essas ocorrências resultam da saturação de água numa parte do subsolo - na camada argilosa, conforme explica Luiz Fernando Scheib, coordenador do Laboratório de Análises Ambientais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Normalmente a água chega nesse nível e flui para um nível inferior em condições normais de chuva. Com a intensidade pluviométrica, houve um encharcamento generalizado da camada argilosa, diminuindo a capacidade de absorção. "A intensidade da chuva foi tão grande que essa camada chegou ao limite de sua liquidez. Deixou de exercer um papel predominante no processo de absorção", afirma o geólogo. Segundo Scheib, um novo planejamento de ocupação terá de ser executado, considerando as anomalias e transformações contraídas pelo solo decorrentes dos deslizamentos. "Seria vital que os governantes levassem em consideração essas transformações. A geologia nesses terrenos sofreu muitas transformações", alerta.

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